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Costumo sempre levar minha câmara fotográfica comigo, principalmente para tirar fotos de Maria Eduarda. Num dos passeios ao Shopping Diamond Mall, estava novamente com a minha câmara na mão. Maria Eduarda quis dormir, então peguei um daqueles carrinhos de bebê que eles emprestam mediante a entrega da carteira de identidade. Depois dela tirar aquela soneca, fiquei sentado com ela num dos bancos de madeira perto da livraria Siciliano. Ela já estava desperta e brincava com um balão, jogando-o para cima com as mãos. Deixei minha câmara em cima do carrinho de bebê enquanto observava ela a brincar. Ao meu lado estava uma senhora de cabelos brancos, também observando ou simplesmente aguardando alguém conhecido chegar. Maria Eduarda veio em minha direção e achou graça da máquina fotográfica estar em cima do carrinho de bebê. Dei corda para a imaginação dela dizendo que aquele era meu novo bebezinho. E fiquei brincando com ela para ver a sua reação. Certamente a senhora ao lado deve ter escutado somente o final da conversa e como ela estava sentada numa posição perpendicular ao minha posição no banco (ele é quadrado), ela realmente não viu o que estava dentro do carrinho de bebê. De repente Maria Eduarda pega o carrinho de minha mão e sai correndo empurrando-o em direção ao corredor. A senhora ao meu lado viu a cena e se levantou a correr em direção dos dois, gritando: "Olha o bebezinho! Olha o bebezinho!".
Fiquei com receio da senhora passar mal de susto daquela cena inusitada! Depois ela viu que no carrinho não havia realmente um bebê, mas sim a minha câmara, na qual eu chamava segundos antes de 'meu bebezinho'.
O dia cheio este!!!!
Isto foi em maio de 2006.
Sempre nos fins de semana eu e Maria Eduarda vamos ao Minas Shopping almoçar. Faze comida em casa gastaria muito tempo e minha opção foi almoçar fora. Desta maneira fico mais tempo com ela. Num destes fins de semana, estava almoçando com ela. Acabei primeiro e disse assim para ela:
- Vou levar a bandeja para jogar no lixo, é falta de educação deixar a mesa cheia das sobras do almoço. Espere pelo papai aqui.
Fui até a lixeira mais próxima, coloquei a bandeja em cima dela e voltei para a mesa. Maria Eduarda ainda continuava a comer.
Depois de uma duas semanas, voltando ao mesmo Shopping, desta vez muito cheio, deixei Maria Eduarda sentada numa vaga de uma mesa de duas vagas. Uma mulher estava a sua frente. Deixei-a na mesa e fui fazer meu pedido enquanto a mulher acabava de almoçar. Sempre de olho na Maria Eduarda. Quando a bandeja do nosso almoço me foi entregue, me dirigi para a mesa de Maria Eduarda. A mulher já não mais estava. Mas quando sentei-me à mesa, tive uma surpresa das duas mulheres que estavam imediatamente ao lado de Maria Eduarda. Elas presenciaram uma conversa inusitada entre minha filha e a mulher que dividia à mesa com ela. As senhoras me contaram rindo uma estória: Que a mulher ao acabar de almoçar, levanto-se sem retirar sua bandeja da mesa. E que a Maria Eduarda a chamou e lhe disse:
- "Meu pai me disse que quem deixa bandeja na mesa é sem educação!".
A mulher muito envergonhada por ter sido repreendida por uma menina de 4 anos pegou a bandeja e levou para a lixeira.
Todos nós rimos muito da cena, ela colocou em prática não uma regra imposta por mim, mas um exemplo que eu mostro com uma ação prática no dia-a-dia com o próximo.
Isto foi em junho de 2006.
No primeiro dia de aula de judô da Maria Eduarda, ela ainda não tinha o uniforme. O kimôno. Sendo um esporte mais distante da intuição das crianças, o mais próximo para ela seria a 'lutas' dos desenhos japonêses na TV pela manhã. Mas para crianças de 3 a 4 anos, o judô esta na modalidade que a escola chamou de 'holístico', não envolvendo os golpes ainda.
Na mesma noite em que a busquei na escola, perguntei para ela como era a 'roupinha' dos seus coleguinhas. Esperava que ela ficasse entusiasmada com o novo esporte em que a matriculei, depois do tradicional balet. Então ela respondeu tranqüilamente: "Os meninos estavam todos embrulhadinhos".
Era a descrição mais exata que seu pequeno vocabulário poderia me dar. E foi mesmo!
No ônibus indo para casa, estava procurando dinheiro no bolso para pagar o trocador, enquanto Maria Eduarda estava subindo nas barras de alumínio que separam o trocador dos demais passageiros, e que fica próxima a roleta. Nisto uma moça com os cabelos longos e na frente os longos cabelos escuros lhe tampavam um dos olhos. Maria Eduarda quase na altura dela lhe perguntou: "Onde está o seu olho?". Não precisa dizer que todos que estavam perto dela começaram a rir da ingenuidade da pergunta e de quanto ela é observadora.
Todo sábado e domingo, eu e Maria Eduarda, que hoje está com 3 anos e 3 meses, vamos ao Minas Shopping. Depois de almoçar no Banana Grill, e dividir um prato com ela, nós vamos ao quiosque de sorvetes do Supermercado Extra. Há alguns dias, estava comprando os sorvetes, e deixei Maria Eduarda em cima do balcão.
Estava na fila quando uma senhora veio a atendente e perguntou: "Vocês vendem sorvete dietético?", A atendente respondeu que não. Nisto, a Maria Eduarda que estava na frente da Senhora, lhe dirigiu a palavra: "Você tem algum problema com dôce?". A senhora ficou surpresa da pergunta feita pela menininha que estava à sua frente. E eu também.
Este texto dedica-se a todos os que se indignaram e se indignam com pequenos erros, cometidos sem má fé, mas que podem eventualmente levar-nos a uma compreensão errônea de certos fatos e que poderiam permanecer sem correção por muito tempo, e talvez, gerando outros erros ainda. E que dessa indignação, não deve ser levada a cunho pessoal contra os que cometeram o(s) erro(s) – quanto as fraudes, que seja feita justiça - pois logo abaixo explico as situações, com ajuda do ensaísta americano, Stephan Jay Gould, o economista italiano, Vilfredo Pareto.
Lembrando que existe a diferença entre o erro e a fraude. Conforme uma passagem de ensaísta, Gold:
“A fraude é patológica do ponto de vista social e psicológico, embora a ciência deva aprender a policiar-se. O erro é um subproduto inevitável da ousadia – ou de qualquer esforço concentrado. Querer combate-lo seria o mesmo que aprovar uma lei proibindo as pessoas de urinar depois de beber cerveja”. Página 111 de “Dedo mindinho e seus visinhos”, São Paulo, Cia das Letras, 1993.
Nem todos os leitores perspicazes são os mesmos que levam a cabo a elucidação destes mesmos erros, pois como Descartes insistiu em que se escrevesse em sua lápide: “Vive bem, quem esconde bem”. Ou seja, desde a antiguidade a consciência de que expor idéias é também correr riscos. É sabido que tanto Isaac Newton, na física, e Charles Darwin, na biologia, sabiam do tamanho da mudança de pensamento que suas teorias iriam infringir em seus tempos, é não foi por menos que o primeiro levou 30 anos antes de publicar suas idéias, e o segundo, 20 anos. E o que é mais importante, principalmente em relação a Isaac Newton, ele não queria aparecer para não perder os rendimentos que recebia mensalmente, contratado como professor, recebendo como tal, mas sendo um pesquisador, situação conhecida como sinecurismo*.
Os erros podem ser classificados em categorias. A primeira categoria, os erros factuais, os baseados em premissas teóricas que se revelaram falsas ou exageradas. A segunda categoria, os erros de julgamento, que na verdade, são os erros de cálculo político. A terceira categoria:
“... que talvez seja a mais reveladora, compreende os erros que a maioria de nós não reconhece porque nós próprios também costumamos cometê-los. Vamos chamá-los de erros de convenção impensada. Incluo aqui a repetição passiva de suposições culturais generalizadas feita de modo tão automático, ou tão profunda e silenciosamente incorporada à estrutura de um argumento, que mal conseguimos detectar sua presença”. Ibsen, página 113.
Uma pessoa para conseguir elucidar as questões acima precisa ter algumas características básicas: grande intelecto, percepção aguçada e interesses variados, e o principal, não se deixar menosprezar sobre a falta de uma formação acadêmica na área versada, pois tê-la também, não garante a integridade moral, a integridade da idéia em si, nem mesmo a integridade intelectual e penhor de sabedoria.
O objetivo central deste texto é deixar a mensagem que, por mais que possa existir um nível de hierarquia numa grande empresa, uma questão prática urge de se dizer: “conselho se fosse bom ninguém dava, vendia”, pela máxima popular. E no lugar da palavra “conselho”, a substituiremos, pela palavra “sugestão”. E disso vem à história abaixo:
A nossa empresa tenta nos últimos anos, conviver com um dilema, a competição acelerada por projeção profissional, e o dever de se trabalhar em equipe. Nestes dois pólos, temos que conviver com um clima de enxugamento do quadro de empregados, a documentação dos processos, as transcrições deles para um padrão, o trabalho em equipe, que necessariamente deveria levar o executor das tarefas a ser ouvido, nem que seja para fazer um refinamento do assunto. Esse refinamento, informal através de sugestões na forma de diálogo, ou numa maneira mais formal, existindo para isto um documento próprio. Mas o que experimento de fato e vejo entre os meus colegas é exatamente o contrário. Relato este por mera questão de ter chegado a um ponto de desistir de fazer as sugestões, mas não antes de me explicar o por quê. O engessamento institucional foi decretado pela própria existência de um fato: geralmente o gerente escolhe um assistente que seja menos polêmico e mais conciliador. E como a vida é um grande jogo, nosso senso comum logo rastreia estas características básicas de prêmio e punição. A iniciativa de não se levar qualquer questão para ser resolvida, como uma sugestão, para uma outra área, será antecipadamente reprimida, pois isto, logo verá tratado com repugnância pela área “afetada”, e o que era de início era uma sugestão, será tratado como um problema trazido. Tolhendo futuramente quaisquer iniciativas, pois o saldo será uma imagem desgastada, já que é uma questão pequena, não merecendo entrar na categoria de “custo x benefício” aceitável.
O fato:
Há alguns anos minha estação de trabalho de desenvolvedor – ou todas as estações de desenvolvedor – são configuradas com uma “imagem”, no jargão da informática, um conjunto básico de ferramentas e de sistema operacional. E esta imagem vem sendo instalada com o “Visual Studio 6”, com o aplicativo “Source Safe” como aplicativo “servidor” e não como aplicativo “cliente”. Depois de um bom tempo, entendi a situação e levei a sugestão para o pessoal que faz a instalação destas imagens. Mas me foi solicitado que eu passasse esta alteração de procedimento para o meu supervisor, pois SEM a autorização do mesmo, a sugestão não seria aplicada, e pelo que eu entendi, muito menos aceita como uma possível abstração de pensamento para que a concretude da mesma fosse avaliada antes mesmo de uma formalização documentada. Lembrando nosso ex-presidente Tancredo Neves, que disse uma vez que “em Minas Gerais, não se faz uma reunião sem antes saber o que se vai decidir”. Mas isto significa duas coisas: a sugestão de um técnico não tem expressão em sua percepção, mas se fosse uma ordem de um gerente, isto seria levado em conta, mesmo que este gerente não usasse o aplicativo em hipótese alguma. Não duvido que todos os que tiveram suas estações passadas pelo procedimento de configuração por imagem, e ter que usar o “Source Safe” como cliente, não viram os problemas, mas o fato é que ninguém tem coragem de se expor para alterar um problema tão banal, a ponto de se expor para resolver tal condição de erro. A liberdade individual da decisão acima é um direito de cada um de fazê-lo, mas o que faz com que isto seja mais freqüente, os motivos pelos quais levam as pessoas à não comunicar um dado problema, é que está sendo criticada neste texto. E com isto, uma condição que seria resolvida numa simples autocrítica, ficará por se perpetuar por muito tempo. Mais uma questão a ser definida aqui neste texto, vem do economista italiano Vilfredo Pareto:
“Prefiro sempre um erro frutífero, cheio de sementes, prenhe de suas próprias correções, à verdade estéril. A verdade estéril que fique para quem a formula”.
O que eu tentarei dizer com a frase acima é que, a identificação pontual de um erro por si só não leva a melhoria de uma pessoa ou instituição, naquele momento, o que se deve ter é a consciência reflexiva de melhoria e a abertura para novas interpelações.
Diante de uma empresa que nos leva a fazer cursos de sobrevivência na selva para aumentar nosso espírito cooperativo e de equipe, fica a questão: não seria relevante treinamento de autocrítica e estimular a não agir com tanta defensiva? Ou será que Descartes estava certo em sua máxima: “Vive bem, quem esconde bem”?
Referências para pesquisa:
Neste livro, você entenderá que nós consumidores não escolhemos nada além do que já foi decido pelos que comandam o processo produtivo. Que nas grandes empresas ou corporações, apesar do acionista ser o proprietário das mesmas, e se ter um conselho consultivo composto por pessoas não ligadas a diretoria, estas simplesmente aprovam todas as decisões dos administradores das mesmas, não ingerindo nada contra as decisões que prejudiquem as próprias empresas ou até mesmo seus acionistas, os verdadeiros proprietários e donos.
A ECONOMIA DAS FRAUDES INOCENTES
GALBRAITH,JOHN KENNETH
CIA DAS LETRAS
ISBN: 8535905707
Apêndice:
Tomas Hobbes:
Tenho em minha camiseta, os quadrinhos de “Calvin e Hobbes”, que no Brasil, foi na minha opinião, alterado para “Calvin e Haroldo”, tirando todo significado na escolha dos dois nomes e seu relacionamento com os comportamentos dos mesmos nos quadrinhos. Nos quadrinhos, que não foram feitos para crianças, o que na minha opinião, foi o que levou os editores brasileiros a fazer esta alteração, pensando que isto iria “vender” melhor os quadrinhos ao público infantil. Lembro-me que nem na minha adolescência, eu conseguia entender os quadrinhos, ou seja, não era para um público juvenil brasileiro que estudou em escolas públicas, talvez para um jovem que tivesse estudado numa escola particular. Entender a mensagem de Tomas Hobbes, é entender o significado da eterna competição entre as duas personagens, um sempre correndo do outro, ou ultrapassá-lo como a meta principal de suas brincadeiras, que é a metáfora da mesma competição na vida real. E quando as coisas começam a ficar ruim para Calvin, ele chama a ética como proteção DELE, e apenas para ser usada em sua defesa, e não a dos outros.
“... Na sua concepção de natureza humana é básico o conceito de conatus, a força genética do comportamento. É um impulso original ou ‘começo interno’ do movimento animal para se aproximar do que lhe causa satisfação ou para fugir do que lhe desagrada. Esse conatus impulsiona o homem a vencer sempre. A vida começa com o CONATUS positivo, o desejo. Em termos de vida social, ultrapassar o outro é fonte primordial de satisfação, por isso estar continuamente ultrapassado é miséria enquanto ultrapassar continuamente quem está adiante é felicidade. É da sua natureza o egoísmo, constituído por ‘um perpétuo e irrequieto desejo de poder e mais poder que só termina com a morte’.
A vontade obedece à razão, segundo o racionalismo clássico. Porém, para Hobbes, é apenas apetite. Um determinismo mecanicista regeria não só os movimentos do universo como também a atividade psicológica do homem. O livre arbítrio não passaria de ilusão: seria apenas uma expressão destinada a ocultar a ignorância das verdadeiras causas das decisões humanas.
O conatus provoca guerra de todos contra todos, é o estado natural em que vivem os homens, antes de seu ingresso no estado social. O homem é governado por suas paixões e tem como direito seu conquistar o que lhe apetecer. Como todos os homens seriam dotados de força igual (pois o fisicamente mais fraco pode matar o fisicamente mais forte, lançando mão deste ou daquele recurso), e como as aptidões intelectuais também se igualam, o recurso à violência se generaliza .
Mas, além do conatus, governa o homem também o instinto de conservação e este leva ao desejo da paz. Deixado meramente a si mesmo, o instinto de conservação é abertura para a violência enquanto esta não é um risco e, ao mesmo tempo, para a paz tática que prometa conservação. Assim se define o campo da lei natural de sobrevivência.
Por isso o instinto de conservação é peça tão fundamental na filosofia de Hobbes quanto sua idéia do conatus, porque para ele, ao contrário do pensamento aristotélico que tem o homem como um animal social, os indivíduos só entram em sociedade quando a preservação da vida está ameaçada. E estaria ameaçada pelos próprios indivíduos, se cada qual tudo fizer para exercer seu poder sobre todas as coisas. A paz é a dimensão mais compatível com o instinto de conservação.
Pode-se então supor algo como um contrato tácito entre os homens, implicando em que contêm os seus ânimos, como defesa interna e que, reunidos, formarão um povo, de modo que a multidão dos associados seja tão grande a ponto de garantir a defesa externa, tirando a esperança de seus adversários de que um pequeno número baste para assegurar-lhes a vitória.
A contenção interna implica uma ética. No nível das relações morais, é preciso que cada um - segundo Hobbes - "não faça aos outros o que não gostaria que fizessem a si"; é preciso evitar a in gratidão, os insultos, o orgulho, enfim, tudo o que prejudique a concórdia...” .
Estas páginas são, predominantemente, resumos do artigo René Descartes, in. Filosofia Moderna - Rubem Queiroz Cobra
COBRA.PAGES.nom.br, Internet, Brasília, 1997. Disponível na internet em Filosofia Moderna.
Sobre a palavra sinecurismo*:
Sobre as reformas do mundo atual:
”A virada do século foi emblemática. Trouxe-se de volta o temor da intolerância e do militarismo, por outro lado estabeleceu um paradigma de como as nações devem agir com relação aos seus governantes. Já não mais se perdoa tudo, em todos os níveis. Desde funcionários com atividades mais simples aos chefes de estado, os servidores públicos passaram a ser vistos e tratados como o que realmente são: servidores públicos, defensores do bem comum. Com isso, o sinecurismo está ferido de morte.
No mundo globalizado, eficiência é palavra-chave, e para ser eficiente torna-se necessário, por vezes, ir além do cumprimento do dever. Ao servidor, são atribuídas responsabilidades. Mas, isso só não basta. Cabe ao servidor também imbuir-se de responsabilidades e ser o seu próprio vigia na observância do cumprimento do proposto...”
Artigo escrito por Marcus Vasconcelos, Presidente do Instituto Zumbi dos Palmares, publicado no "O Jornal" (matutino de Alagoas) no dia 19 de novembro de 2003.
· Para quem se indigna e faz alguma coisa pelo nosso Brasil:
25/08/2005 - 15h49m
Aposentada que filmou o tráfico comemora a prisão de bandidos e PMs
Fábio Gusmão - Extra
RIO - A noite passada foi a primeira que a aposentada Dona Vitória, de 80 anos, passou sem ouvir a feira das drogas na Ladeira dos Tabajaras e os tiros disparados por bandidos de Copacabana. Ela ingressou em um programa de proteção a testemunhas e já deixou o apartamento no qual, durante dois anos, gravou imagens do tráfico na favela que fica a poucos metros do imóvel. Ela ficou emocionada com a repercussão do documentário que produziu e satisfeita com o resultado: 13 traficantes e sete PMs foram presos graças às suas 22 fitas.
- Estou de alma lavada. Foi por tudo isso que batalhei, sabia que teria um bom resultado. Sinto-me realizada, valeu a pena. Aquela gente mereceu - disse ela, ao se encontrar com o secretário estadual de Segurança Pública, Marcelo Itagiba, na tarde de quarta-feira.
Na noite desta quarta-feira, o juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal do Rio, decretou a prisão temporária de 12 indiciados do caso. Destes, sete são policiais militares. Segundo o juiz, o Ministério Público opinou contrariamente à prisão de três policiais, mas ele acolheu integralmente a representação dos delegados Fernando Veloso e Marcus Castro, da 12ª DP, responsáveis pelo inquérito. Itabaiana já havia decretado anteriormente a prisão de outros indiciados do mesmo inquérito.
A satisfação com o resultado empolgou Dona Vitória. O esquema de segurança montado para ela não chegou a incomodá-la. Pelo contrário: a aposentada comemorou com policiais a captura dos envolvidos com o tráfico em Copacabana:
- Os PMs presos não honraram a farda, eles a usaram para fazer o mal. Venderam armas para bandidos, utilizadas no assassinato de várias pessoas. Não podemos nos conformar com isso.
Há dois anos, Dona Vitória vem filmando da sua janela flagrantes do movimento dos usuários e vendedores de drogas que circulam na favela que movimenta cerca de R$51 mil semanais com a venda de entorpecentes. Ao todo foram produzidas 22 fitas, com cerca de 33 horas de gravação. Narrando todas as cenas que captava como se fosse uma cineasta, seu relato é um misto de espanto, revolta e emoção. Como no dia em que, estupefata, flagra um grupo de crianças de 6, de 10 e de 12 anos de idade cheirando cocaína perto de uma ribanceira.
Na quarta-feira, a Ladeira dos Tabajaras amanheceu ocupada pela polícia. A investigação identificou 36 pessoas envolvidas no tráfico de drogas na região. O secretário de Segurança, Marcelo Itagiba, deu detalhes da operação:
- Com base em denúncias trazidas à Secretaria de Segurança Pública pelo jornal Extra, determinei, há cerca de três meses, às polícias Civil e Militar que iniciassem investigações naquela comunidade. Esse trabalho, feito também com o Serviço de Inteligência da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), resultou na gravação de 800 horas de conversas entre traficantes daquele local, do Morro Dona Marta e de presos de Bangu 3 - explicou Itagiba.
Fonte:
Pós-escrito:
Recomendaria que o corpo gerencial da empresa encomendasse um curso que aumentasse a percepção do outro, ou seja, de um aumento de empatia em relação ao colega, para que ninguém se sinta acuado ou mais poderoso que o outro, pois na realidade, somos seres frágeis e que no fundo, até um gesto de “violência gratuita”, por exemplo, um tom de voz mais agressivo, as vezes isto significa um pedido de ajuda e não de real agressão (logicamente que existem as exceções, como explicarei abaixo).
Quando o distanciamento entre as pessoas se desfaz, tanto o físico, quanto o psicológico, e ambos olham diretamente nos olhos do outro, isto não ocorre somente em situações de conflito, mas na prestação de serviços, e que um deles leve vantagem estratégica sobre o outro (numa relação comercial, ou hierárquica, ou simplesmente de deter um conhecimento específico), esta situação passa a ser encarada de forma mais humana, ou seja, numa inversão de 180o graus. Aquele que ficou no “papel” de opressor, ou que está numa situação de vantagem, poderá ceder para aquele que está em situação de desvantagem. Isto vale como regra geral, exceto se um deles é um sociopata.
Numa situação semelhante já ocorre na França, em que pessoas extremamente endividadas são convidadas a participar de uma reunião de renegociação das dívidas domésticas junto com os credores. Isto com uma intimação da promotoria pública para os credores. Ao invés da negociação tradicional por um telefone 0800, ou por carta, ambos se encontram numa sala com dia e hora marcados. O credor quando vê a situação do endividado e sua vontade de pagar - lembrando aquela máxima: “devo, não nego, pago quando puder” - geralmente chegam ao um acordo.
Belo Horizonte, 24/08/2005.
Haroldo Kennedy Clebicar Nogueira
O supermercado
Uma vez fui fazer compras no Extra, lá do Minas Shopping e levei a Maria Eduarda, ela deveria estar com uns 3 mêses. A Roberta já tinha ido numa vez anterior com a nossa antiga empregada e como era de esperar em sua situação da época, esta deveria estar um pouco nervosa, pois ela achou que ela chorou muito e tinha dado muito trabalho. Resolvi experimentar. Fui com ela de ônibus, ela estava no meu colo. Estava num banco ao lado da janela, e estava à noite. Reparei no reflexo do olhinho dela, as luzes dos postes passavam um após o outro, seus olhos iam para frente e para trás procurando acompanhar a passagens das luzes. Fiquei impressionado com o poder de observação dela. No supermercado então foi maior ainda. Ela reparava em tudo o que tinha côres e seus formatos...
O banho
Desde cedo notei que Maria Eduarda seria uma criança diferente. Nota isto quando eu dava banho de banheirinha nela, com um 3 mêses de idade. Não enchia a banheira de água, mas colocava uma quantidade suficiente para cobrir seu corpinho. Segurava a cabecinha dela um pouco mais inclinada para que a agua não entrasse na sua boca. Enquanto lavava, ela batia com os pés na água, e formava pequenas ondas que iam e vinha de um lado para o outro da parede da banheirinha. A inclinação que eu dava à cabeça era pequena, e de repente notei que ela virava sua cabecinha para o lado com um certo rítmo. Passado um tempo, a Roberta que estava do meu lado, notou que ela viravasse num rítmo coordenado, e que obedecia uma seqüência que não deixava que a onda formada pelas batidas de seus pezinhos entrasse na sua boca ou orelhas. Ou seja, ela ajustou seu modo de ver a água com a freqüência das ondas da banheira. Pensei comigo: "Isto é pura música, ou pura matemática!".
Esse é do Beethoven
Uma vez, meu irmão, Alvinho, estava preparando o prato o prato de comida de minha filha, Maria Eduarda. Ela estava brincando, e ele a colocou sentada à sua mesinha de plástico, e com o prato na frente dela. Ela não estava interessada muito no almoço, e por isso, meu irmão inventou um nome de um cachorro, o "Beethoven", e disse a ela: "Não coma esta comidinha, pois ela é do Beethoven...". Num instantinho ela começou a comer. A "psicologia infantil" estava funcionando...Passa um tempo e meu irmão dizia a ela: "Não vai comer a comidinha do Beethoven...", ela voltava a comer com mais enpenho. Passado mais um tempo ele brincava novamente: "Oohhhh! Esta comidinha é do Beethoven, não vai comer ehmmm". Ela voltava a comer com empenho e soltando um risinho...Após algum tempo, ela já não estava comendo mais, e faltava um pouquinho só. Meu irmão foi até ela e disse: "Oohhh... Tem um pouquinho aqui! Você não vai comer?". E ela olhou para meu irmão e disparou sem pestanejar: "Esse é do Beethoven...". Isto foi em fevereiro de 2005, ela estava com 2 anos e 2 mêses.
Dê preferência
Estava eu e Maria Eduarda na parte da frente de um ônibus, que estava cheio, isto foi domingo, dia 19/06/2005. Ela olhou para aqueles adesivos que ficam pregados no vidro do ônibus, voltados para o passageiro, indicando que os assentos da frente antes da roleta tem prefêrencia para certas pessoas, e me disse alto: "Olha papai, o moço tá com o pé quebrado!", isto apontando para o ícone que realmente é um homem com uma faixa no pé e de muletas. Até aí tudo bem, fiquei surpreso ao reconhecimento rápido daquele ícone por parte dela. Depois, novamente ela olhou para o segundo ícone, que era a da mulher com uma barriga grande, indicando mulher grávida, e disse: "Olha o moço com barriga grande...ele tomou muita cerveja!". Nisso todos do ônibus começaram a rir da pequenina que reconhecia os ícones e os acomodava numa leitura conforme a sua vivência...Fiz questão de dizer alto ue eu não tomava cerveja...
Estou doente
Ontem dia 20/06/2005, estava indo para casa, depois de buscar a Maria Eduarda na escolinha. Subo com ela na "cacunda", conforme ela mesmo pede. Paro freqüêntemente numa loja de sorvetes, ao lado de uma churrascaria. Lá ela tem uma atendente muito amável que já nos conhece e sempre nos recebe bem. Neste dia, como é de costume, Maria Eduarda entrou para o lado de dentro do balcão e sentou-se numa cadeira. Da cadeira, ela avistou um vidro, cheio de barras que estavam embrulhadas em papel vermelho, e eram notoriamente barras de chocolate. Ela com voz embargada e baixa, oulhando daquele jeito de cachorrinho perdido me pediu: "Papai, quero chocolate!". Disse de imediato que não era chocolate, e fiz sinal para a balconista dizer o mesmo. Mas a balconista tentou explicar mais do que deveria, e disse: "Isto não é chocolate! Isto é remedinho para a garganta!". Maria Eduarda também não esperou muito e disse já tossindo: "Cof, cof, cof, papai, estou tossindo!"...
Nasci em Caxambu, cidade do sul de Minas Gerais, mas saí de lá aos 6 anos, para morarmos em São Sebastião do Paraíso (MG), pois meu pai trabalhava nos Correios, e sempre estava de mudança. Apesar de ter conhecido muita gente nestas mudanças, nunca tive amizades duradouras no tempo, apesar de ter conhecido muitos e estas amizades se enraizarem profundamente.
Da minha infância, me lembro de poucos detalhes, como quando ia junto com o meu pai para o serviço dele, e ele nos deixava no “play-ground” do Parque das Águas, que ficava logo em frente ao prédio dos Correios. Lembro-me que meu pai preparava café com leite em garrafinhas térmicas para mim e meu irmão. Lembro de uma vez, era a aniversário da cidade, 16 de setembro, e nossa mãe nos vestiu com roupas iguais. Era uma camisa branca com uma gravatinha esquisita, e uma calça preta. Lembro me que meu irmão vestiu o traje. Mas eu não quis vestir aquele “ultraje”. No final fui colocado em xeque, ou iria a festa da cidade com a roupa, ou ficava “preso” em casa. Decidi ficar em casa do que vestir aquela roupa. Lembro-me uma vez que meu irmão colocou um grão de bico no nariz, e que custaram tirar de suas narinas aquele grão, e o tanto que foi difícil lidar com a situação, já que um de nossos primos (filho do “tio” Toninho – o Levenhagen famoso), tinha morrido de maneira semelhante. Lembro-me de brincar de caça fantasmas com uma boa turma de amigos numa mansão fechada. Foi a casa mais bonita que tinha entrado. Tinha todas as mobílias guadadas com um lençol branco em cima, belos castiçais de prata, que até hoje, tudo o que vi, é motivo hoje, para meus sonhos infantis de assombração. Pouco tempo depois este casarão foi demolido, por ordem do filho, pois o mesmo não aguentou ver a casa em que cresceu vazia de gente, depois que seus pais se foram deste mundo. Lembro-me do perído em que tivemos que mudar para São Sebastião do Paraíso. Tinha 6 anos de idade. Meu pai havia se separado da minha mãe, alguns mêses antes, e vivíamos com ele. Eu e meu irmão tivemos nossa primeira educação numa escola de uma igreja Presbiteriana. Período este que nossa mãe, estava separada do nosso pai. Lembro-me como se fosse hoje, depois de muito tempo sem vê-la, ela apareceu na nossa escola, mas não sem havisar, pois um dia antes, nosso pai, tinha recomendado a mim e meu irmão não conversar com ela, coisa que não entendi a razão naquele tempo. Lembro-me em ter ficado dividido, uma vontade de vê-la e abraçá-la e um vontade de obedecer o mandamento que nosso pai nos havia feito um dia antes. Mas acabei me capitulando em conversar com ela. Ela nos trouxe um presente para cada um. Era uma pistola vermelha que atirava uma seta, que na ponta tinha uma ventosa que pregava em paredes lisas. Meu pai ficou chateado por termos aceitado o brinquedo, recordo. A volta da minha mãe a Caxambu, depois de ter ficado um tempo em Belo Horizonte, fez que tempos depois meu pai pedisse a transferência do serviço dele de Caxambu para a cidade de São Sebastião do Paraíso. Depois dessa mudança, Caxambu se tornou para mim uma cidade de veraneio, como se dizem lá, ou uma cidade só para as férias. Seus custumes, seu povo, nossos parentes ficariam somente na minha memória, que aos poucos iria se esquecendo de tudo, dos nomes, lugares, pessoas, eventos. Tudo ficaria somente registrado em fotografias que minha mãe tinha em seus álbuns de fotos. Éramos conhecidos como os gêmeos. Mesmo depois de muitos anos, os turistas velhinhos, que não sentiam mais o tempo passar diziam: “Quê dê os gêmeos? Nosssa como estão grandes, como eles cresceram!”. Comos se o tempo não tivesse passado para eles, e não esperavam que nós crescéssemos e seríamos sempre crianças de colo. Minha recordação mais forte foi quando meus avós foram de viagem para o sul do Brasil. Foram inclusive para a Argentina. Não sei onde, mas minha avó nos trouxe vários presentes. Entre carrinhos de ferro e um bunequinho que estava na moda naquela época: um Toppo Giggio, ou um ratinho com orelhas grandes, com cabelo espetado, barriguinha de fora. Este bonequinho era o meu alterego, o meu confidente, o meu “Grilo Falante”. Tenho ele comigo até hoje, eu com 40 anos de idade, ou seja, é o meu amigo mais antigo, cerca de 34 anos que nos damos bem, talvez seja porque ele não fala, só escuta. Geralmente as pessoas gostam de gente assim, que somente as escuta. Dizem que pessoas (o boneco) assim não geram muita demanda para o outro. Nós somente pedimos coisas para ele e confessamos nossos segredos ele também. Quando disse que com 6 (seis) anos saímos de Caxambu, e fomos para São Sebastião do Paraíso, foi para enfatizar também o processo de “extradição” da terra natal. De deixar para traz tudo o que afligia a família, e olhar para nossa família que lá ficou, sempre como uma possibilidade de se ter e ao mesmo tempo poder se afastar com data marcada e tempo limitado. Talvez isto tudo é que pode manternos mais ligados na nossa família do que se tivéssemos que viver no mesmo prédio com ela o ano inteiro. Lembro-me não seu o porquê, que sempre fui uma criança sozinha, não obtinha amigos facilmente, e quando os tinha não gostava de perdê-los. Outro pensamento que sempre me veio em mente, principalmente naquela época em que tinha entre 6 e 9 anos, era que, quando completasse os 10 anos, sairía de casa. Achava que um menino de 10 anos já poderia ser dono de si memo. Talvez gostasse de números, pois os tinha como uma marca. Achava que com uma idade de dois dígitos, por exemplo, passando de 9 para 10 anos, me tornaria uma pessoa mais segura e isto me autoriaza a deixar minha casa para sempre. Este pensamento, eu me lembro exatamente quando e quando ocorreu, foi numa esquina do comércio lá de SS do Paraíso, quando eu olhava uma bicicleta “Tigrão”, que era a moda naquele tempo. Nunca fui namorador, numca tive amigos para ir brincar na casa deles, numca fiz uma amizade por mim mesmo, a não ser as que me vinham através de meu irmão gêmeo. Eu tinha cabelos lisos loiros, e ele cabelos anelados pretos, tinha um apelido entre os familiares de “Caetano Veloso”, por ter os cabelos parecidos com o do cantor famoso. Eu, queria ter o cabelo também igual ao dele. Não gostava dos meus. Assim como não gostava e nunca gostei do meu jeito de ser. Meu irmão era meu espelho. Eu era um apendice vivo dele. Até a idade que ele começou a ter idade para não me aceitar mais como companhia, e sair de fininho da minha presença. Nunca aceitei isto como uma natureza das pessoas. Sempre achei que se existisse algo errado, esse errado era eu. Pois quem vivia uma vida cheia de amigos e namoradas era ele e não eu. O que uma criança ou adolescente iria pensar disso? Talvez se eu não fosse um tanto teimoso, em me manter nesta posição, iria me precipitar em coisas que poderiam fugir do meu controle, talvez eu conhecesse os meus limites. Hoje sei de uma coisa, poderia ter feito mais do que fiz, não por que quisesse fazer mais, mas por que deixei de fazer muito o que sempre quis fazer.
A cidade de Caxambu, fica num percurso quase equidistante das grandes capitais do sudeste do Brasil, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. Além da facilidade geografica, um denominador comum entre as 3 capitais, também sua boa rede de hoteis, mantém a vinda de congressos de todos os tipos. Sendo que geralmente é na época de baixa temporada que os hotéis fazem a oferta para as universidades. Desta maneira, meus avós, sempre mantiveram contatos com pessoas de várias áreas do conhecimento humano. Pois no tempo que trabalhavam no Parque das Águas, também trabalhavam numa pequena mercearia, que vendia produtos regionais, como queijos, doces, linguiças, etc... Sei por exemplo, que eles conheceram os médicos: o pediátra Dr. Delamare, e o primeiro cardiologista a fazer transplante de coração no Brasil, o Dr. Zerbine. Cantores famosos como Nelson Gonçalves, jornalistas, artistas de rádio, teatro e da televisão. Meu avô fez teatro também, gostava deste meio (no natal, ele sempre vestia de Papai Noel para nossa família e para vizinhos, escolas e quem desejasse a visita). Além de sempre manterem contatos com os profissionais formados naquela região ou que estavam de passagem, tais como: Três Corações (Odontologia), Varginha (Direito), Itajubá (Engenharia), Santa Rita do Sapucaí (Engenharia), Campinas, São José dos Campos, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, e por aí afora...Neste clima de férias, descontração e de trocas de experiências, estávamos lá, sempre em julho, dezembro e janeiro.
Na minha adolescência passava as férias lá, e mais amigos e parentes que vinham de todas as regiões do país. Gostava da maneira que meus avós lidavam com a vida. Meus avós tinham somente o que hoje, eu também tenho, o equivalente ao curso de segundo-grau. Nunca despresei o conhecimento e experiência deles. Quando contava a alguém por exemplo, que minha vó resolveu um problema do nosso prédio, que sempre faltava água, algumas pessoas achavam que eu estava menospresando a inteligência deles. Mas não era o caso. Eu simplesmente ficava exaltado sobre como minha vó de idade já “avançada” para o meu ponto de vista, resolvia com desenvoltura problemas diversos, como a idéia de se construir no nível da rua, exatamente onde o depósito da mercearia ficava, uma grande caixa de água. Ficando do nível da rua, ela não precisava de muita pressão para que a água fluísse para dentro da mesma. Com uma bomba d’ água, a caixa de baixo enviava água para as caixas d’água que ficavam em cima do “terraço” (hoje as pessoas chamam de “cobertura”). Meu avó fazia varetas alumínio, retiradas das antenas de TV, desenhava listras, que representavam os diversos níveis de volume da caixa d’água. Estas varetas ficavam apoiadas sobre pequenas boias, que criavam o empuxo para as mesmas ficarem boiando sobre a lâmina d’água.
Até a própria construção do terraço e seus cômodos de parêdes de madeira, para mim significou um grande aprendizado. Aprendizado sobre força de vontade e determinação dos meus avós. Se não foi o primeiro a ser construído na cidade, foi um dos primeiros.
Outra coisa que para mim significou muito sobre a capacidade de meus avós de enchergarem além do horizonte, foi a construção das células solares de aquecimento da água do banho. Minha vó contou que um dia um engenheiro de Campinas passou na porta da mercearia e ofereceu seu invento para que ela comprasse uma “coisa” que iria ajudar a economizar energia elétrica. Isto foi feito há mais de 25 anos. A poucos anos atrás, quando minha vó ainda estava conosco, aquele engenheiro ainda fazia a troca dos paineis, substituindo-os por tecnologia mais nova.
Meu avô se chamava “seu” Álvaro, e minha avó “dona” Isolina. Os dois tem origens parecidas, pois não foram criados pelos seus pais, não me lembro as razões de cada um. Os dois foram criados por famílias ricas. Mas com um grau de parentesco de tios e tias. Ambas as famílias mandaram os dois estudarem no Rio de Janeiro. Minha vó tem uma foto dela com maiô na praia de Copacabana. No fundo sem prédios, apenas casas e terrenos vazios, isto em 1945. Meu avô tinha um amigo que também foi com ele. Uma vez meu avo me disse que eles eram inseparáveis, tanto é que quando lhe disseram que teria que ir estudar no Rio de Janeiro, ele disse que para ir, seu amigo, que não me lembro o nome, teria também que ir junto. E foi!. Seu colega foi mais persistente que ele mesmo, pois meu avô retornou a Caxambu, mas seu amigo ficou para continuar os estudos. Este último, se tornou um empresário famoso, com família e bem estabelecido no Rio de Janeiro. Segundo meu avô nunca deixaram de se comunicar um com o outro, até que meu avô recebeu a notícia de falecimento dele. Meu avô foi ao seu enterro. Já minha avó foi criada pelos donos do Hotel Copacabana Palace do Rio de Janeiro. Em Caxambu, eles tinham um outro hotem também, chamado de Hotel Glória. Um hotel construído no estilo colonial espanhol, quase um cartão de visitas da cidade. Outra característica de meus avós é que eles eram descendentes de alemães. Meu avô tinha sobrenome Clebicar, com certeza, segundo ele mesmo e minha vó, um aportuguesamento de algum nome alemão que o escrivão não soube escrever, e também seus ancestrais também não souberam ensinar com precisão para o escrivão, nunca mais saberemos a razão. Os descendentes da minha avó já tinham mais história com eles, tinham sobrenome Levenhagen. Segundo minha avó, seu irmão foi à Alemanha e conferiu nos registros de imigração, que a família dos imigrantes tinham sido uma das primeiras a saírem da Alemanha em rumo do Brasil, isto em 1876, temos conosco as cópias dos documentos da época.
Meus avós sempre foram pessoas de visão do futuro. Minha vó me dizia que ela tinha ganho dinheiro com leite, pois naquela época ainda não existia leite em saquinho e pasteurizado. E para quem quisesse leite de manhã cedo, tinha que acordar com o sinal do leiteiro, bem de manhã mesmo. Mas como a maioria das pessoas dormiam tarde, e não acordavam muito cêdo, ela comprava o leite que o leiteiro não vendia, guardava no refrigerador industrial do armazém, e depois vendia para os interessados, no balcão da loja. Ganhou dinheiro também vendendo frango abatido na hora, resfriado ou mesmo assado naquelas máquinas que ficavam rodando os frangos espetados em espetos. Para a execução das tarefas dos frangos ela tinha dois empregados, que me lembro o nome até hoje: Tião (Sebastião) e Laura. Seus rostos não me saem da mente, assim como dos meus avós. Creio eu que meus avós eram bons empregadores. Eram pessoas honestas e trabalhadoras. Os dois tinham mais uma coisa em comum, eles aponsentaram trabalhado juntos no Parque das Águas de Caxambu, no prédio de Hidroterapia. Minha avó ficava no lado feminino dos banhos. Meu avô no serviço masculino. Mas meu avô começou lá como eletricista.Talvez trabalhassem meio horário, não sei, mas quando saiam do serviço, ou antes de entrar, tinham o trabalho na mercearia, que certamente deve ter começado muito tempo depois do trabalho na Hidrominas (o do parque). Lembro-me que minha vó me disse que para montar o negócio, fez um empréstimo com uma pessoa conhecida da família, mas que era agiota. Para quem conhece Caxambu, a primeira mercearia montada pelos meus avós, ficava onde é hoje o Banco do Brasil. Muito tempo depois foi que meus avós compraram um outro terreno que fica hoje onde foi sua última morada, e é hoje onde mora meu irmão mais novo, Raul e sua mulher, Carolina, meu primo Frederico e sua mulher. Meus avós construíram um pequenos prédio, um apartamento e uma loja na frente e dois apartamentos no 2o. andar. Em cima deste segundo andar é onde fica o terraço. Nele é que fazíamos as festas de aniversário de todos, natais, festas de fim de ano, páscoa, etc... Nele encontramos até hoje aquelas cadeiras antigas de ferro, em forma de galhos retorcidos em círculos e folhas em metal. Todas pintadas de branco, contrastando com o chão ladrilhos vermelhos e as colunas também brancas arredondadas. O teto era branco, telhas de amianto pintadas de branco, que com o passar do tempo ficaram escuras, cheias de umidade e fungos que lhe dão o aspecto escuro. Meu avô fez de um dos quartos, sua oficina, lá tinha de tudo o que se poderia imaginar de quinquilharias. Meu avô guardava tudo. A partir desse material que guardava, criava seus passa tempos. Durante seus últimos anos conosco, construiu simbolicamente muitas situações contadas no Novo Testamento. Minha mãe conseguiu que a TV local, EPTV, filmasse sua obra de arte. Antes disso eu também fotografei para ele, não ficou muito bom, pois meu flash estragou e não disparou em muitas das fotos que tirei, perdendo-se muitas, infelizmente não tive tempo de voltar e tirar as fotos novamente.
Meus avós eram pessoas solidárias. Meu avô ajudava a paróquia cedendo o carro e ele como motorista para levar quem necessitasse para onde quer que fosse, a q ualquer hora do dia ou da noite. Minha vó tinha um bazar de coisas usadas. Recebia qualquer objeto para ser revendido. Na venda dos objetos, ela repassava 30% para a igreja, uma entidade chamada CEPAF. Meus avós eram muito religiosos. Tinham suas virtudes e seus defeitos como qualquer ser humano. Meu avô gostava de conversar com todos, contava suas piadas e suas estórias. Não importava-se muito com sua aparência, mas talvez gostasse que minha avó o corrigisse quando estava com roupas sujas, mãos sujas de terra, óculos sujos, e tudo mais. Eles devem ter estabelecidos relações não verbais de carinho e preocupação um com o outro atraavés destes pequenos gestos. Quem não os conhecia poderia não os entender. Minha avó era observadora e meu avô desligado do mundo. Os dois se completavam. Minha avó era a senhora fina e educada e meu avó o oposto, não que fosse sem educação como os dias de hoje são os mau educados, mas ele era despido de maneirismos e formalidades sociais, principalmente quando queria ser notado por isso, mas sabia usar estes mecanismos quando era a hora apropriada de sair do comum. Os dois gostavam muito de viajar. Toda minha infância, eu e meus irmãos e minha mãe, sempre viajamos com nossos avós. Íamos para a cidade do Rio de Janeiro, ou para Caraguatatuba, Ubatuba e Parati, Cabo Frio, Búzios. Recordo-me as dezenas de vezes que nos preparávamos para a viagem. Meu avô possui no início um carro, uma Variante vermelha. Depois ele trocou por uma Kombi. Toda vez que íamos para a praia, passávamos em Aparecida do Norte, onde descíamos e fazíamos um lanche daqueles com frango, farofa, refrigerante e umas duas caixas de isopor, uma para os produtos quentes e outra para os frios. Éramos uma típica família “buscapé”, ou uma “Grande Família” reunidos, como tivéssemos saído das telas da televisão. Sempre que estávamos num lugar diferente, minha avó anotava as informações de tudo, pegava folhetos, telefones, como se realmente fosse comprar ou construir o que estava analisando. Minha avó lia muitas revistas e jornais, e sou grato a ela por ter aprendido a fazer o mesmo. Até num mundo que se tem uma tecnologia com a Internet, o que aprendi a fazer me ajudou muito hoje. Uma vez meus avós chegaram a viajar para Brasília e no complexo de águas quentes em Goiás com um Chevette e uma barraca. Os dois eram como adolescentes mesmo em idade mais avançada. Como toda avó, a minha, sabia fazer doces como nínguém. Lembro-me das ótimas ceias de Natal que passei em Caxambu. Ela fazia vários doces que nem me recordo de seus nomes. O doce que eu mais gostava de comer era o de abóbora com canela, uma delícia. Quando eu voltava sozinho de Caxambu para Divinópolis, minha avó sempre preparava para mim um lanche para que eu comece no caminho. Cortava uns dois pães e colocava fatias de queijo e presunto, depois embrulhava delicadamente em uma folha de alumínio para mante-los frescos. Nos fins de semana em Caxambu, quando eu tinha meus 14 anos, e meu irmão gêmeo também, ela nos dava algum dinheiro para que gastássemos num restaurante famoso da cidade, o Xodó. Era um restaurante no estilo americano, pois naquela época quase tudo era imitação da vida americana, lá reservava o dinheiro para comprar um sorvete, misto quente ou um refrigerante, que eu me lembro até hoje, era o guaraná Antártica com rótulo de papel e canudinho também de papel...
Em 1995, resolvi passar o fim de ano com minha avó, pois no íntimo sabia que ela já não iria ficar conosco por mais tempo. Estas coisas que sinto não se explica com palavras, apenas se sente. E isto eu senti naquela passagem de ano em que estive com ela pela última vez. Fiquei em Caxambu por cerca de 17 dias. Em 16 de janeiro de 1996 embarquei para os Estados Unidos em viagem com minha ex-namorada, Marize. Receiei receber más notícias do Brasil, e pensei comigo, não vou passar o telefone do hotel em que estava, exatamente para não receber notícias, também não liguei. Somente quando retornei, liguei para minha casa. Meu pai atendeu e me deu a notícia da morte de minha vó. Apenas um ano antes, ela tinha feito a mesma viagem que tinha acabado de fazer. Como queria que estivesse com ela um ano antes. Mas meu irmão gêmeo, Álvaro, minha mãe, Dora e minha vó Isolina, resolveram ir de repente para os Estados Unidos, mais exatamente na Flórida, na Disney Word. Meu avô não foi com minha avó.
Em fevereiro de 2002, meu avô estava indo e vindo para o hospital da Santa Casa de Caxambu. Ele estava com pneumonia. Ora melhorava, ora piorava. Mais o quadro dele estava mais para bom, nunca se pensou no pior. Mas mesmo com a mãe da minha filha, Roberta, grávida, e o filho para nascer em julho, tomei a decisão de ir nos 15 dias que me restavam das férias, para Caxambu. Decisão difícil, pois todos esperam que um homem tire férias e passe com a mulher após ter dado a luz. Mas como já disse, foi uma decisão difícil de tomar, mas hoje sei que tomei a decisão certa, pois aqueles forão os últimos dias que passei com meu avó. Ele estava ho hospital internado. Ia visitá-lo sempre que podia, e lhe falava sobre o bebê que iria chegar em julho. A Roberta não gostou muito, mas para ela, aquele sentimento que somente eu poderia ter, e que palavras alguma poderia descrever, me veio a mente novamente. Era como uma repetição do mesmo sentimento que tive em relação a minha avó. Mesmo assim ela “brigou” comigo, pela decisão que tomei. Mas nos dois somos jóvens, e temos muito mais pela frente que o que eu poderia ter com meu avô, naqueles que seriam os últimos dias dele conosco.
Com a Roberta em Divinópolis doente, e eu sozinho em Belo Horizonte, tinha o hábito de ir ao cinema toda noite, ou sair com minha câmera fotográfica, tirando fotos da cidade no entardecer. Mas numa sexta-feira, que para muitos já eram motivo de alegria, por chegar o fim de semana, especialmente naquela sexta-feira, não conseguia ter o mesmo entusiasmo dos outros dias. Era como se uma voz me dissesse: “vai cêdo para casa hoje!”. E assim o fiz. Fui dormir cêdo nesta noite. Acordei lá pelas 01:30 da madrugada de sábado. Não custumo acordar a noite nem para ir ao banheiro. Não que tenha o sono pesado, pelo contrário. Mas acordei assustado pois tive um pesadê-lo. Fiquei acordado na cama durante alguns minutos. De repente me veio um sentimento ruim, após este sentimento ruim, que a mim me parecia, veio um cheiro desagradável no meu quarto, nunca tinha sentido isto antes. Não era do banheiro pois ele estava limpo, e este nunca apresentou problemas, não vinha da cozinha pois a porta do quarto estava fechada, não vinha da rua, pois durmo com janelas fechadas. Após raciocinar durante alguns minutos sobre a origem do cheiro passei a ter mêdo. Não do cheiro propriamente dito, mas o significado dele para mim. Pensei no meu avô, mas não quiria incomodar a minha mão ligando tarde da noite. Voltei a me concentrar a voltar a dormir. Fui acordado lá pelas 2:30 da manhã, era a minha mãe me ligando, e ela me havia dito que encontrara o meu avô morto na cama, e provavelmente ele teria morrido entre 00:30 e 01:00, pois à meia noite ela esteve com ele, e nada parecia estar fora do normal. Chorei muito ao escutar a notícia, mesmo estanto quase que preparado, mas acho que nunca estamos. Depois de chorar por algum tempo voltei à dormir. No meu sonho estava dormindo no meu quarto, e meu avô abriu a porta, com aquelas roupas simples que custumuva usar, sapato preto, calça cinza daquele pano fino, e uma camiza de algodão com nylon, que ficava fácil de passar. No sonho ele sentou-se na beira da cama e veio falar-me. Eu imaginei que tudo o que havia passado antes é que era um sonho (ou pesadêlo), pois estava vendo-o vivo na minha frente, tive até a chance de perguntar para ele se estava vivo ou morto, mas não me lembro da resposta, pois era tão real que tinha certeza o que tinha se passado era mesmo um sonho. Mas voltei a não tê-lo no meu sonho, e acordei às 05:00 horas da manhã, novamente era um telefonema. Era a minha mãe me avisando que meu irmão iria passar na minha casa, em BH, para que eu e a família dele, fóssemos para Caxambu, no enterro do meu avô.
Meus avós nos deixaram muito cêdo, gostaria que eles conhecessem minha filha, a Maria Eduarda. Meus avós eram os meus padrinhos de batismo. Tenho no meu álbum as fotos do dia do batismo, meu avô de terno com uma gravata fina e com aquele bigodinho fininho, que custumava-se usar naqule tempo e minha vó com os cabelos soltos e com uma roupa floral, isto tudo numa foto preta e branca.
Para meus amados avós, Isolina Levenhagen Clebicar e Álvaro Ramos Clebicar.
do seu neto: Haroldo Kennedy Clebicar Nogueira, que não teve a chance de realizar o grande desejo de sua avó: de vê-lo formado e com filho(s).
Vou começar meu texto com uma pergunta: porque as pessoas gostam mais da virtude quando a mesma está numa pessoa OUTRA pessoa? Dizem os melhores mestres, que nós, os iniciados não devemos trocar uma boa pergunta por uma reposta, contenha ela o que for, no sentido de responder ou não a nossa pergunta. Digo isto porquê talvez eu já tenha a resposta, que já nos foi dada há pelo menos 2000 anos atrás, por outro mestre. A resposta dada foi também fruto de exemplo da pessoa dele, pois somente com simples palavras, nós iniciados não nos seria revelador. Ele deu exemplo de vida nos servindo, ao invés de pedir que fosse servido. Daí que a resposta da minha pergunta já estava respondida há muito tempo, mas ainda não foi abssorvida pela maioria das pessoas, talvez isto justifique nossa procura por alguém virtuoso e esquecemos de SERMOS virtuosos na prática e não numa busca, que pode as vêzes se revelar infrutífera. E já que falei em frutos, usarei uma metáfora: é melhor semos um pomar numa terra nutrida do que sermos viajantes a procura sempre de suprimentos para a próxima viagem.
Esta reflexão veio depois de sair com minha pupila e filha, Maria Eduarda, de quase 3 anos de sabedoria infantil, que para ela , eu, também pupilo dela, sou o meio de seu grande aprendizado, pois tenho não apenas a convicção, mas também a consciência que neste mundo de pomares e desertos, todos nos fazem aprender, todos nos fazem aprender, se ficarmos com nossos sentidos ligados para que tudo seja transformado em aprendizado, o no que se chamam de recontextualização. Para ser mais claro e usando uma frase popular: "Se o mundo te der um limão, faça uma limonada!". Esta é a maneira que os verdadeiros mestres nos tentam demostrar pela vivência, e não pelos somente em livros.
Estava assistindo um filme com minha filha no cinema, levei água, chocolate e pipoca. Escolhi sentar em uma das cadeira vagas, a que fica imediatamente junto ao corredor. Era um filme que levava o expectador a uma "viagem" ao inconsciente da personagem. Esta, era uma pessoa que buscava encontra uma resposta para sua busca do que seria a verdadeira justiça, mas aprendeu antes de mais nada, que a justiça não se faz com sangue e sem a compaixão pelo outro.Que o mal não é nada mais do que a incompreensão de um ser para com um outro ser. Os dois buscando os mesmos interesses. Mas apesar de ter todo os recursos necessários para mantê-la junto comigo, ela começou a falar “Papai, tome uma pipoca”. “Papai quero água!”. “Papai tome água também!”. Mesmo que sua pequena voz ainda sobresaísse dentro da grande sala de projeção, e que o filme fosse em idioma estrangeiro e legendado, uma pessoa atrás de mim fez “SSSSSSSSSSSSSSSSSiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiisssssss...”. Quando a mesma pessoa atrás repetiou o gesto, a pesso que estava ao meu lado repetiu em coro: “SSSSSSSSSSSSSSSiiiiiiiisssssssss”. E me disse: “Eu paguei R$10,00 para assistir!”. O que me causou indignação não foi o ato de me pedir silêncio, mas o fato dele ter usado o SEGUNDO reclame do sujeito atrás, para ter CORAGEM de reclamar JUNTO COM OUTRO. Logo que depressa saí da sala de cinema. As pessoas gostam da ilusão de assistirem um filme que tem uma mensagem de virtude, honestidade, compaixão, mas não gostam de usá-la no mundo real. Será que estas pessoas se sentiriam menos humanas em demostrar tal sentimento? Existe um mito de que pessoas fortes NÃO tem estes sentimentos, pois tê-los obscureciria a razão, as decisões tomadas em suas vidas práticas, seja no serviço, principalmente, ou seja em suas vidas em casa ou socialmente falando. Espero que este mito seja destruído, e que realmente tomemos consciência do quanto ele nos destroe, e principalmente nossa relação com os outros. A verdadeira natureza humana é deixada de lado e negada sistematicamente pelas nossas construções sociais em que vivemos, sejam o casamento, a religião, o direito, a justiça, a des(igualdade) humana, a democracia, a ciência, a política, a cultura (talves nem tanto) e principalmente as convenções sociais.
Imaginemos um estória, dois pessoas buscando encontrar uma resposta para suas dúvidas: "O mundo ainda é justo?". Dependendo do que achassem na sua busca, este o veredito sobre sua pergunta. Como é uma estória, podemos ainda fazer nossos arranjos para que os dois se encontrem. Caso os dois se encontrem, nossa pergunta, como já de posse dos pressupostos dos dois passará a ser: "Quem irá ceder primeiro?". É uma questão óbvia, pois não devemos procurar no mundo o exemplo do outro para julgá-lo, e o que é pior nos termos do outro! Deveremos sim dar o exemplo de como deve ser o mundo, e que nossos atos se tornem o que faz o mundo, e não o contrário. Por isso a mensagem trazida há 2000 anos, foi o EXEMPLO DADO DE SERVIDÃO, E NÃO A BUSCA DA SERVIDÃO OU DA VIRTUDE NOS OUTROS. Por isso se alguém lhe perguntar: "O mundo continua merecedor de nossa bondade?" Não hesite em responder e também perguntar a si mesmo: "Será que EU estou merecedor dela?". O mundo é o que NÓS fazemos dele.
autor: Haroldo Kennedy Clebicar Nogueira.
Leia também: Novo Testamento. Teoria dos Jogos (Matemática) e tenha filhos...
Para você entender:
O meu colega M, alegou que "os empregados também assumem o papel de vítima, daí tentam achar um culpado para suas frustrações quando envelhecem dentro da empresa". Não deixa de existir uma verdade nisso, mas também não podemos assumir um postura reducionista para explicar toda a desmotivação do empregado. O que venho tentando dizer para a gerência média da minha empresa é que ela deve compartilhar riscos com seus subordinados, daí quando a avaliação do risco é compartilhada com os subordinados e os mesmos tendo um grau de abstração, compreensão e a conscientização que administrar é também gerenciar os riscos, tentando amenizá-lo e quando algo der certo o sucesso é do grupo e quando a decisão não for a mais acertada, que na pior das hipóteses, seja analisada como um insucesso. Que este insucesso tenha sido compartilhado também com os subordinados. Um exemplo típico é quando um grupo de colegas faz um bolão, TODOS contribuem com uma parcela do "risco". E em caso de insucesso (não devemos chamar de fracasso), todos não reclamam que o dinheiro foi perdido, pois conforme outro dito popular: "o que foi combinado não sai caro", talves seja assim a razão que eu apesar de pessoalmente NÃO jogar, mas sempre que me chamam para entrar num bolão, nunca recuso e nunca "cobro" que meu dinheiro foi desperdiçado. A não ser que eu tivesse o dom da premonição e que ninguém aceitasse o meu palpite, infelizmente (ou felizmente) não tenho este dom.
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Boa tarde amigo M,
Entrei na empresa em 1983, desde então ela está mudando, mas o que ela precisa mudar é a cultura (brasileira), que é mais difícil de mudar do que se imaginam. Lembre-se daquela estorinha dos remadores...
Veja a situação logo abaixo, pela manhã eu enviei um e-mail para o analista do site www.sacrahome.com , agora 16:18 ela já me retornou sobre o ocorrido. Uso o site dele como referência, pois ele foi o primeiro no Brasil a implementar TODO o site no formato RSS, que inclusive é também a referência do trabalho sobre "Feeds" entregue ao colega F. K.
No mês passado o site estava usando PHP, agora está usando DOTNET. Apenas lendo manuais não se cria nada, o verdadeiro conhecimento se adquiri ao fazer as coisas, o contato direto. Um dos poucos homens no mundo que criou um pensamento a priori foi Albert Einstein, pela equação E = m c 2. E mesmo assim ele ganhou um prêmio Nobel, não por esta equação, que poucos físicos entenderam, ele ganhou pelo seu trabalho sobre o efeito foto-elétrico, que todos tinham acesso físico ao fenômeno ( a posteriori ).
exemplo: um fenômeno MAIS comum no Brasil (este fenômeno é cultural), uma empresa sinaliza para os clientes uma forma de proceder, como por exemplo, ela está à disposição do cliente a hora que ele precisar. Quando um cliente precisa da ajuda da empresa, o telefone está sempre ocupado (não avalio aqui o porquê levou a ficar sempre ocupado), mas as conseqüências práticas de não conseguir o serviço conforme prometido. Tem uma propaganda de seguros do Unibanco que é exatamente o que ocorre, é um fenômeno chamado pelos especialistas em antropologia de "double bind" (ligação dupla), mas que na sabedoria popular tem sua expressão máxima: "bate e assopra". É uma relação de amor e ódio, que nem sempre o receptor destas mensagens entende, mas que pode ter conseqüências danosas para a formação do caráter de uma pessoa, principalmente na durante a formação do seu ego.
grato,
hk
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