Uma Pesquisa Sobre Valores
Numa aula de Engenharia Econômica na PUC/MG, no primeiro semestre de 1996, o professor não estava lecionando nenhuma matéria contida na grade de aula do semestre, nem mesmo da referida cadeira (de Engenharia Econômica). Era um assunto que a maioria dos alunos de engenharia desconhecia, entre os muitos motivos era por que se o assunto se referia a cadeira de Sistemas de Software. Impacientes os alunos saíam da sala ou o pior, ficavam, e conversavam entre suas respectivas turminhas...
Numa turma de 65 pessoas, somente umas 15 estavam dispostas a ouvir as novidades do primeiro mundo que o professor trazia. Na sua bagagem de sua viagem, continha várias informações sobre o que estava ocorrendo nas várias universidades da Europa e dos EUA.
Com tanta conversa paralela, o professor teve que pedir aos que conversavam, que se retirassem da sala de aula, e aos que ficassem, interessados ou não, fizessem o merecido silêncio e respeito ao professor durante sua apresentação.
O professor avaliou o motivo que a maioria dos alunos saíram, e poucos ficaram: "era por que não viam utilidade prática na palestra". Ou seja, tal qual a maioria dos estudantes que vão às aulas, estes, por força do estilo de se avaliar os alunos, e mais a obsessão dos alunos em somente estudar o que se é obvio utilização, principalmente nas provas, avaliaram mal a palestra e ficaram conversando... Até a intervenção do professor. Antes que qualquer um saísse, e de prosseguir a palestra, ele nos indicou um livro para que nós lêssemos:
"ZEN E A ARTE DE MANUTENÇÃO DE MOTOCICLETAS, uma investigação sobre valores". Do autor Robert M. Pirsig.
O nome é realmente esdrúxulo, mas revelou-se excelente para mim e acredito que certamente o foi para os que o leram também. Naquela época trabalhava junto aos analistas de sistema de engenharia de manutenção e reparo da rede elétrica de distribuição de uma empresa. Deste o ocorrido na sala de aula em diante, resolvi me dedicar a olhar para qualquer sistema com os olhos mais afiados, e fazer um julgamento de valor sobre estes, e mais ainda, tentar ajudar o sistema para o qual trabalhava com o maior zelo possível. Não queria que fizesse algo para prejudicar o mesmo, mesmo sendo por ato involuntário e de uma programação (eu poderia usar a palavra análise, mas nunca me considerei um analista) mal sucedida.
Apesar de se ter passado quase que 10 anos da referida palestra e da leitura do livro, caminhamos até aqui com pouca estrutura para implementarmos uma análise de valores e qualidade no que fazemos (posso dizer por mim mesmo, e não para as outras pessoas). A pouco tempo fizemos um curso de "Segurança no Desenvolvimento de Aplicações Críticas", e subtende-se que isto já está incorporado ao analistas e programadores. Qualquer situação criada pela falha do sistema que comprometa a estrutura hierárquica, talvez alguém nos dirá: "Por que vocês não implementaram uma análise mais crítica..." Ou seja, a corda arrebentará para o lado mais fraco.
Sei que até este texto vai ser difícil de se entender num país em que qualquer crítica construtiva não seja interpretada como uma em contrário, já que já estão tão acostumados a ouvir sempre críticas quando as coisas NÃO estão funcionando.
Sei que é difícil para a maioria abstrair um pensamento do tipo: "faça um código para a pior situação". Pois é mais fácil e mais "barato" (eu duvido desta afirmação), implementarmos qualquer sistema a curto prazo e já dizer que ele está funcionando! O que vem atrás não é importante, o que está ou vai estar no backup não é interessante citar...
Tal qual a minha ex-turma de Engenharia Econômica, quando as pessoas estão numa massa humana, estas não pensam.
Se esperarmos que a maioria de um dado grupo vislumbre uma saída para os problemas diários, que seja uma sala de aula, uma universidade, uma empresa (corporate), um país, ficaremos sempre tentando chegarmos a um consenso humanamente inatingível, eu diria até: utópico.
As empresas (corporate), existem num termo abstrato chamado CGC (ou numa holding, união de CGS´s), ela por si mesma não toma decisões. Quem as toma é um ser humano (ou um conjunto deles) dotado de autoridade para tal. Mas a idéia de que tais seres humanos incorporaram a idéia básica do livro citado acima de que: Para que devemos ser especialistas em manutenção de motocicleta? Compramos a melhor delas (uma BMW, por exemplo), e quando der problemas, chamamos um mecânico!
Para finalizar, vou dizer a vocês o assunto que o professor tentava iniciar todos daquela sala, naquele ano: INTERNET .
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