A Vingança dos “Nerds”
“Pode-se enganar todas as pessoas parte do tempo;
pode-se até enganar algumas pessoas o tempo todo;
mas não se pode enganar todas as pessoas o tempo todo”
Abraham Lincoln
"Em algum lugar além das fronteiras de nosso sistema solar, arrojando-se pelo espaço interestelar, há um fonógrafo e um disco dourado com intruções hieroglíficas na capa. Foram colocados na sonda espacial Voyager 2, lançada em 1977 para nos transmitir fotografias e dados dos planetas distantes de nosso sistema solar. Agora que pasou por Netuno e sua emocionante missão científica está encerrada, ela serve como um cartão de visita interplanetário que deixamos para algum viajante espacial extraterrestre que possa a vir a pescá-la.
O astrônomo Carl Sagan foi o promotor do disco; ele escolheu imagens e sons que sintetizam nossa espécie e nossas realizações. Sagan incluiu saudações em 55 línguas humanas e um “lingua de baleia”, um ensaio sonoro de doze minutos composto do choro de um bebê, de um beijo e de um registro de eletroencefalograma das meditações de uma mulher apaixonada, além de noventa minutos de música, com exemplos de diferentes culturas do mundo: mariachi mexicana, flautas-de-pã peruanas, raga indiana, um cântico noturno navajo, uma canção de iniciação para meninas pigméias, uma música sakuhachi japonesa, Bach, Beethoven, Mozart, stravinsky, Louis Armstrong e Chuck Berry cantanto “Jonhnny B. Goode”.
O disco também envia uma mensagem de paz de nossa espécie para o cosmo. Em um involuntário ato de humor negro, a mensagem foi proferida pelo secretário-geral das Nações Unidas na época, Kurt Waldheim. Anos depois, historiadores descobriram que Waldheim passara a Segunda Guerra Mundial como oficial do serviço secreto em uma unidade do exército alemão que perpetrou represálias brutais contra guerrilheiros da resistência nos Balcãs e deportou a população judaica de Salonica para campos de extermínio nazistas. É tarde para chamar a Voyager de volta, e essa piada sarcástica sobre nós circulará para sempre pelo centro da Via Láctea."
Pag. 162, do livro: “Como a Mente Funciona”, do título original“, de Steven Pinker,How the minds works , Cia das Letras, São Paulo, 1998.
Meu comentário sobre o primeiro texto e sobre o filme “Contato” e sobre o texto acima:
Quem viu o filme, “Contato” sabe que a forma de comunicação dos seres extraterrestres foi por ondas de eletromagnéticas pulsantes e moduladas na polarização, vinda de numa determinada posição celeste, e como a terra gira sobre si mesma, toda a informação ficaria na forma de um quebra-cabeças a ser montado por várias nações, já que a cada intervalo de tempo, somente uma nação poderia receber o sinal, e o compartilhamento destas informações era a chave do sucesso.
Na verdade o código enviado tinha várias informações, a primeira a ser desvendada e causar o maior impacto aos presentes foi a imagem de Adolf Hitler discursando em sua posse como Gran-Chanceller Alemão, primeira imagem transmitida pela televisão no mundo. E junto com esta imagem, uma modulação na polarização da onda, continha também outra informação a ser desvendada: a nova tecnologia para se fazer o contato entre os dois mundos.
Não tenho a menor dúvida que o autor escolheu precisamente a transmissão de Hitler, para também fazer a mesma piada conosco, agora voluntária, de humor negro. Rebatendo a primeira, involuntária, quando o porta-voz de contato humano escolhido também foi um nazista enrustido, naquela época, representante da ONU, como a explicação no primeiro texto.
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