Só o que é bom
Certo dia em que o jovem Zússia se encontrava na casa de seu mestre, o grande Rabi Ber, um homem se achegou a este e pediu-lhe que o ajudasse e aconselhasse num empreendimento. O Rabi Zússia, porém, percebeu que o homem estava cheio de pecado e que não o tocava um único pensamento de contribuição; assim, encheu-se de raiva contra ele e gritou: - Como pode alguém como tu, que cometeu tais e tais vilanias, ter o atrevimento de apresentar-se perante um semblante, sem a menor vergonha ou desejo de penitência! – O homem saiu em silêncio; Zússia, porém, se arrependeu de suas palavras e não sabia o que fazer. Então seu mestre o abençoou, para que, daí por diante, só visse o que há de bom nas pessoas, mesmo que alguém pecasse diante de seus olhos.
Mas como o Dom da visão que fora concedido a Zússia não lhe podia ser arrebatado por qualquer palavra humana, aconteceu que, daquela hora em diante, ele começou a sentir os pecados dos homens que encontrava como se fossem seus, e culpava-se a si próprio por eles.
Sempre que o Rabi de Rijin contava isso do Rabi Zússia, acrescentava: - E se todos nós fôssemos como ele, o mal já teria sido exterminado, a morte absorvida, e a perfeição alcançada.
Escolhi este texto do livro “Histórias do Rabi” , de Martin Buber , Editora Perspectiva.
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