Acidentes nem tanto "acidentais" 

Acidentes nem tanto "acidentais"

23 de abril de 2003 14:18

Há exatos 3 (três) anos atrás, frequëntava Cabo Frio todo fim de semana. Ia para lá todo sexta à noite e voltava no domingo às 10:00, chegando aqui em BH lá pelas 05:00 horas da manhã. Na ida lia meus "preciosos" livros, na volta, cançado, só acordava na rodoviária de BH. Ficava na casa de meu irmão gêmeo, que mora lá com seu casal de filhos (um de 15 e a outra de 11 anos) há 8 (oito) anos.
Posso dizer que conheço Cabo Frio de cima e embaixo d´água, liiteralmente, pois já fiz vários mergulhos na região, tirei minha carteira de mergulho lá. Já fiz megulho com temperatura a 13 graus celcius, 5 graus a mais que a temperatura do mar onde naufragou o Titanic. Já fotografei a cidade de Cabo Frio andando à pé para conhecer seus detalhes...
Mas indo no assunto que me fez escrever este texto: o naufrágio do barco na entrada do canal de Cabo Frio. Quando freqëntava a cidade, meu corpo era de turista, mas minha mente continuava a ser de fotógrafo, detalhista. Sempre levava meus sobrinhos nos passeios de escuna, para fazer mergulho nas calmas águas da ilha dos Papagaios. Escolhia sempre o barco "kid Vigarista" ou seus 2 (dois) outros barcos da mesma frota, "kid Malvadeza" e outro que não me lembro o nome. Seus comandantes eram excelentes anfitriões, assim como toda a tripulação. Foram eles que inventaram o jeito engraçado de lidar com o público mineiro, os maiores freqëntadores dos passeios. Logo os demais barcos, começaram a imitá-los, até mesmo nas piadas. Realmente eles deixavam qualquer um a vontade, mesmo os mais temerosos (os que tinham mêdo do mar), mas eles sempre se reiventavam...
Nunca no entanto deixavam a questão da segurança como segundo plano. Se tivessem que chamar a atenção de alguém, eles tinham todas as artimanhas de como fazê-lo e a intensidade de quando o turista deveria ficar envergonhado, que dependeria do grau de risco que o turista estivesse cometendo.
Passado algum tempo, o meu direito de escolha se desfez com a decisão da Prefeitura de Cabo Frio. Com a desculpa de "garantir" o direito a mais barcos na participação dos passeios, foi contruído um cais. Neste cais a bilheteria que venderia o ingresso para um "pool" de barcos. Fique indignado ao ver meu direito de decidir em qual barco sairia, pois isto afetava a minha segurança além de tudo que foi mencionado anteriormente. Indignado, me dirigi ao coordenador da Prefeitura que estava lá no dia da "inauguração". Podiam ter me chamado de pentelho, mas falei a ele tudo o que achava daquilo, e frisei mais: que o mundo todo estava passando para uma situação de competitividade, e ele estava "estatizando" o processo de escolha dos barcos. Ele nivelaria para baixo tanto a segurança tanto ao aspecto de conforto dos barcos. Mas como diz o texto enviado: "em terra de cego quem tem um olho é rei'. Todo o investimento do empresário dos barcos "Dick Vigarista" e "Dick Malvadeza" e seu terceiro barco foram literalmente "por canal a baixo". Ele chegou a comprar ônibus para levar os turistas das praias onde estavam até o porto. Duvido muito que a prefeitura (o prefeito) o fizesse até esse nível, já que o prefeito também é dono das linhas de õnibus e de vans de toda a região. Perdeu o turista, perdeu Cabo Frio, perdeu o empresário visonário que realiza seus projetos. Ganhou quem vive do trabalho dos outros, sem fazer esforço, quem cobra propina, quem paga a propina...
Agora nesta última Semana Santa temos notícia do naufrágio de uma balsa, digo o termo balsa porque nem mesmo quilha o danado tem, pois depois de tanto assoreamento do canal, balsa se torna uma opção segura para um canal e traiçoeira para o mar aberto.
Quando existe vidas em jogo não podemos sermos flexíveis, este tipo de acidente eu classifico dos que poderiam ser evitados se fôssemos um país (mais) sério. Eu sei que lá nos E.U.A também acontecem acidentes, idêntico aquele ocorrido numa festa em que o teto pegou fogo durante uma cascata de fogos. Nos dois países as pessos achavam que aquilo fazia parte do espetáculo, a diferença é que lá nos E.U.A. existiam as saídas de emergência, só que elas infelizmente não foram usadas à tempo, a maioria morreu pisoteada.
As pessoas são as mesmas em qualquer parte do mundo, o que deve ser ajustado é a cultura e o direito de cidadania, pois aqui quem tenta ser cidadão fica parencendo que quer ser herói, o salvador da pátria. Temos que mudar nosso modo de pensar...


O texto acima é uma tentativa de contextualização do artigo de Sthepen kanitz, "Em terra de cego"

Return to Main Page

Comments

Add Comment




On This Site

  • About this site
  • Main Page
  • Most Recent Comments
  • Complete Article List
  • Sponsors

Search This Site


Syndicate this blog site

Powered by BlogEasy


Free Blog Hosting