Em contato com a realidade
[...]A percepção visual é a mais excitante forma de conhecer o mundo, mas os relativistas estão menos interessados no modo como vemos os objetos do que no modo como os categorizamos: como classificamos noas experiências em categorias conceituais como aves, ferramenteas e pessoas. A suposição aparentemente inócua de que as categorias da mente correspondem a algo na realidade tornou-se uma idéia polêmica no século XX porque algumas categorias – estereótipos de raça, gênero, etnia e orientação sexual – podem se danosas quando usadas para discriminar ou oprimir.
A palavra estereótipo originalmente se referia a um tipo de prancha de impressão. Sua acepção atual de imagem pejorativa e incorreta para uma catetoria de pessoas foi introduzida em 1922 pelo jornalista Walter Lippmann. Ele foi um importante intelectual que, entre outras coisa, ajudou a fundar a revista The New Republic, influenciou as políticas de Woodrow Wilson no final da Primeira Guerra Mundial e escreveu algumas das primeiras críticas aos testes de QI. Em seu livro Public opinion [“Opinião pública”, sem tradução em português], Lippmann mostrou-se preocupado com a dificuldade de atingir a verdadeira democracia em um época na qual pessoas comuns não mais podiam jugar questões públicas racionalmente porque obtinham suas informações no que hoje chamamos de soud bites: breves pronunciamentos de autoridades na mídia. Como parte deste argumento, Lippmann afirmou que os conceitos que as pessoas comuns tinham de grupos sociais eram estereótipos: imagens mentais incompletas, tendenciosas, insensíveis a variações e resistentes a informações refutadoras. [...]
Página 280, do Livro Tábula Rasa, Steven Pinker, 2004, Cia das Letras, SP.
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