POR TUDO QUE TENS PASSADO NA TUA VIDA... EU TE COMPREENDO! 

POR TUDO QUE TENS PASSADO NA TUA VIDA... EU TE COMPREENDO!

Eu sei das tuas tensões, dos teus vazios e da tua inquietude. Eu sei da luta
que tens travado à procura de paz. Sei também das tuas dificuldades para
alcançá-la. Sei das tuas quedas, dos teus propósitos não cumpridos, das tuas
vacilações e dos teus desânimos. Eu te compreendo...

Imagino o quanto tens tentado para resolver as tuas preocupações
profissionais, familiares, afetivas, financeiras e sociais. Imagino que o
mundo, de vez em quando, parece-te um grande peso que te sentes obrigado a
carregar. E tantas vezes, sem medir esforços. Eu conheço as tuas dúvidas, as
dúvidas da natureza humana. Percebo como te sentes pequeno quando teus
sonhos acalentados vão por terra, quando tuas expectativas não são
correspondidas. E essas inseguranças com o amanhã? E aquela inquietação
atroz em não saberes se amanhã as pessoas que hoje te rodeiam ainda estarão
contigo? De não saberes se reconhecerão o teu trabalho, se reconhecerão o
teu esforço. E, por tudo isto, sofres, e te sentes como um barco sozinho num
mar imenso e agitado. E não ignoro que, muitas vezes, sentes uma profunda
carência de amor. Quantas vezes pensaste em resolver definitivamente os teus
conflitos no trabalho ou em casa. E nem sempre encontraste a receptividade
esperada ou não tiveste força para encaminhar a tua proposta. Eu sei o
quanto te dói os teus limites humanos e quanto, às vezes, te parece difícil
uma harmonia íntima. E não poucas vezes, a descrença toma conta do teu
coração. Eu te compreendo...

Compreendo até tuas mágoas, a tristeza pelo que te fizeram, a tristeza pela
incompreensão que te dispensaram, pelas ingratidões, pelas ofensas, pela
palavras rudes que recebeste. Compreendo até as tuas saudades e lembranças.
Saudade daqueles que se afastaram de ti, saudade dos teus tempos felizes,
saudade daquilo que não volta nunca mais... E os teus medos? Medo de
perderes o que possuis, medo de não seres bom para aqueles que te cercam,
medo de não agradares devidamente às pessoas, medo de não dares conta, medo
de que descubram o teu íntimo, medo de que alguém descubra as tuas verdades
e as tuas mentiras, medo de não conseguires realizar o que planejaste, medo
de expressares os teus sentimentos, medo de que te interpretem mal. Eu
compreendo esses e todos os outros medos que tens dentro de ti. Sou capaz de
entender também os teus remorsos, as faltas que cometeste, o sentimento de
culpa pelos pequenos ou grandes erros que praticaste na tua vida. E sei que,
por causa de tudo isso, às vezes te encontras num profundo sentimento de
solidão. É quando as coisas perdem a cor, perdem o gosto, e te vês envolto
numa fina camada de indiferença pela vida. Refiro-me àquela tua sensação de
isolamento, como se o mundo inteiro fosse indiferente às tuas necessidades e
ao teu cansaço. E nesse estado, és envolvido pelo tédio e cada ação ou
obrigação exige de ti um grande esforço. Sei até das tuas sensações de
estares acorrentado, preso; preso às normas, aos padrões estabelecidos, às
rotineiras obrigações: "Eu gostaria de... mas eu tenho que trabalhar, tenho
que ajudar, tenho que cuidar de, tenho que resolver, tenho que...". Eu te
compreendendo...

Compreendo os teus sacrifícios. E a quantas coisas tens renunciado, de
quantos anseios tens aberto mão!... E sempre acham que é pouco... Pouca
coisa tens feito por ti e tua vida, quase toda ela, tem sido afinal dedicada
a satisfazer outras pessoas. Sei do teu esforço em ajudar às outras pessoas
e sei que isso é a semente de tuas decepções. Sei que, nas tuas horas mais
amargas, até a revolta aflora em teu coração. Revolta com a injustiça do
mundo, revolta com a fome, as guerras, a competição entre os homens, com a
loucura dos que detêm o poder, com a falsidade de muitos, com a repressão
social e com a desonestidade. Por tudo isso, carregas um grau excessivo de
tensões, de angústia e de ansiedade. Sonhas com uma vida melhor, mais calma,
mais significativa. Sei também que tens belos planos para o amanhã. Sei que
queres apenas um pouco de segurança, seja financeira ou emocional, e sei que
lutas por ela. Mas, mesmo assim, tuas tensões continuam presentes. E tu
percebes estas tensões nas tuas insônias ou no sono excessivo, na ausência
de fome ou na fome excessiva, na ausência de desejo para o sexo ou no desejo
sexual excessivo. O fato é que carregas e acumulas tensões sobre tensões:
tensões no trabalho, nas exigências e autoritarismos de alguns, nas
condições inadequadas de salário e na inexistência de motivação, nos
ambientes tóxicos das empresas, na inveja dos colegas, no que dizem por
trás. Tensões na família, nas dependências devoradoras dos que habitam a
mesma casa; nos conflitos e brigas constantes, onde todos querem ter razão;
no desrespeito à tua individualidade, no controle e cobrança das tuas ações.
Eu te compreendo, e te compreendo mesmo.

E apesar de compreender-te totalmente, quero dizer-te algo muito importante.

Escuta agora com o coração o que te vou dizer: Eu te compreendo, mas não te
apóio! Tu és o único responsável por todos estes sentimentos. A vida te foi
dada de graça e existem em ti remédios para todos os teus males. Se, no
entanto, preferes a autocomiseração ao invés de mobilizares as tuas energias
interiores, então nada posso te oferecer. Se preferes sonhar com um mundo
perfeito, ao invés de te defrontares com os limites de um mundo falho e
humano, nada posso te oferecer. Se preferes lamentar o teu passado e
encontrar nele desculpas para a tua falta de vontade de crescer; se optaste
por tentar controlar o futuro, o que jamais controlarás com todas as suas
incertezas; se resolveste responsabilizar as pessoas que te rodeiam pela tua
incompetência em tratar com os aspectos negativos delas, em nada posso te
ajudar. Se trocaste o auto-apoio pelo apoio e reconhecimento do teu
ambiente, então nada posso te oferecer. Se queres ter razão em tudo que
pensas; se queres obter piedade pelo que sentes; se queres a aprovação
integral em tudo que fazes; se escolheste abrir mão da tua própria vida, em
nome do falso amor, para comprares o reconhecimento dos outros, através de
renúncias e sacrifícios, nada posso te oferecer. Se entendeste mal a regra
máxima "Amar ao próximo como a ti mesmo", esquecendo-te de amar a ti mesmo,
em nada posso te ajudar. Se não tens um mínimo de coragem para estar com
teus próprios sentimentos, sejam agradáveis ou dolorosos; se não tens um
mínimo de humildade para te perdoares pelas tuas imperfeições; se desejas
impressionar os outros e angariar a simpatia para teus sofrimentos; se não
sabes pedir ajuda e aprender com os que sabem mais do que tu; se preferes
sonhar, ao invés de viver, ignorando que a vida é feita de altos e baixos,
nada posso te oferecer. Se achas que pelo teu desespero as coisas
acontecerão magicamente; se usas a imperfeição do mundo para justificar as
tuas próprias imperfeições; se queres ser onipotente, quando de fato és
simplesmente humano; se preferes proteção à tua própria liberdade; se
interiorizaste em ti desejos torturadores; se deixaste imprimirem-se em tua
mente venenosas ordens de: "Apressa-te!", "Não erres nunca!", "Agrada
sempre!"; se escolheste atender às expectativas de todas as pessoas; se és
incapaz de dar um "Não!" quando necessário, em nada posso te ajudar. Se
pensas ser possível controlar o que os outros pensam de ti; se pensas ser
possível controlar o que os outros sentem a teu respeito; se pensas ser
possível controlar o que os outros fazem; se queres acreditar que existe
segurança fora de ti, repito: Eu te compreendo mas, em nome do verdadeiro
amor, jamais poderia apoiar-te!

Se aspiras obter proteção quando o que precisas é liberdade; se não
descobriste que a verdadeira liberdade e a autêntica segurança são
interiores; se não sabes transformar a frase "Eu tenho que..." na frase "Eu
quero!"; se queres que o fantasma do passado continue a fechar teus olhos
para a infinidade do teu aqui e agora; se queres deixar que o fantasma do
futuro te coloque em posição de luta com o que ainda não aconteceu e,
provavelmente, não chegará a acontecer; se optaste por tratar a ti mesmo
como a um inimigo; se te falta capacidade para ver a ti mesmo como alguém
que merece da tua própria parte os maiores cuidados e a maior ternura; se
desejas usar teus belos planos de mudar, de crescer, de realizar, como
instrumentos de auto-tortura; se achas que é amor o apego que cultivas pelos
teus parentes e amigos; se queres ignorar, em nome da seriedade e da
responsabilidade, a criança brincalhona que habita em ti; se alimentas a
vergonha de te enternecer diante de uma flor ou de um por de Sol; se através
da lamentação recusas a vida como dádiva e como graça, não posso te apoiar.

Mas, se apesar de todo o sono, queres despertar; se apesar de todo o
cansaço, queres caminhar; se apesar de todo o medo, queres tentar; se apesar
de toda acomodação e descrença, queres mudar, aceita então esta proposta
para a tua felicidade: a raiz de todas as tuas dificuldades são teus
pensamentos negativos. São eles que te levam para as dores das lembranças do
passado e para a inquietação do futuro. São esses pensamentos que te afastam
da experiência de contato com teu próprio corpo, com o teu presente, com o
teu aqui e agora e, portanto, distanciando-te de teu próprio coração. Tens
presentes agora as tuas emoções? Tens presente agora o fluxo da tua
respiração? Tens presente agora a batida do teu coração? Tens agora a
consciência do teu próprio corpo? Este é o passo primordial. Teu corpo é
concreto, real, presente, e é nele que o sofrimento deságua e é a partir
dele que se inicia a caminhada para a alegria. Somente através dele se
encaminha o retorno à paz. Jamais resolverás os teus problemas somente
pensando neles. Começa do mais próximo, começa pelo corpo. Através dele
chegarás ao teu centro, ao teu vazio, àquele lugar onde a semente germina.
Através da consciência corporal, galgarás caminhos jamais vistos, entrarás
em contato com os teus sentimentos, perceberás o mundo tal como é e agirás
de acordo com a naturalidade da vida. Assume o teu corpo e os teus
sentimentos, por mais dolorosos que sejam; assume e observa-os, simplesmente
observa-os. Não tentes mudar nada, sê apenas a tua dor. Presta atenção, não
negues a tua dor. Para que fingir estar alegre se estás triste? Para que
fingir coragem se estás com medo? Para que fingir amor se estás com ódio?
Para que fingir paz se estás angustiado? Não lutes contra teus sentimentos,
fica do teu próprio lado, deixa a dor acontecer, como deixas acontecer os
bons momentos. Pára, deixa que as coisas sejam exatamente como são. Entra
nos teus sentimentos sem os julgar, não fujas deles, não os evites, não
queiras resolvê-los escapando deles - depois terás de te encontrar com eles
novamente, é apenas um adiamento, uma prorrogação. Torna-te presente, por
mais que te doa. E, se assim fizeres, algo de muito belo acontecerá! Assim
como a noite veio, ela também se irá e então testemunharás o nascer do dia,
pois à noite o Sol escurece até a meia-noite e, a partir daí, começa um novo
dia. Se assim fizeres, sentirás brotar de dentro de ti uma força que
desconhecias e te sentirás renovado na esperança e a vida entrando em ti. Se
assim fizeres, entenderás com o coração que a semente morre antes de
germinar e que a morte antecede a vida.

"Aqueles que sonham de dia estão cientes de muitas coisas que escapam aos que sonham somente a noite."
autor desconhecido, recebi pela internet.

Return to Main Page

Comments

Add Comment




On This Site

  • About this site
  • Main Page
  • Most Recent Comments
  • Complete Article List
  • Sponsors

Search This Site


Syndicate this blog site

Powered by BlogEasy


Free Blog Hosting