Muito além da técnica
Haroldo, muito obrigado pela sua atenção: o ato de registrar idéias só faz sentido quando aparecem entusiastas e seguidores. Muito obrigado. Quanto ao texto eu procurei dar a ênfase forte em técnicas e não só em intuição, portanto a frase está correta pelas minhas intenções. Estou cansado de ver o uso da intuição sem nenhuma base técnica dar com os burros na água. Minha crença diz que existem técnicas, aprenda-as e melhoraras fortemente tua intuição.
Forte abraço
Pedro Mandelli
De: Haroldo Kennedy C. Nogueira
Enviada em: sexta-feira, 20 de maio de 2005 17:12
Para: mandelli.cons@uol.com.br
Assunto: Muito além da técnica
Prioridade: Alta
Boa tarde Sr. Mandelli,
Comprei o seu livro: "Muito além da hierarquia" há 2 dias. Estou na página 117, pois trabalho de dia na CEMIG, e cuido sozinho de minha filha de 3 anos. Somente tenho tempo para ler, depois que ela dorme. Sábados e Domingos eu não consigo ler. Até à página atual estou gostando muito do livro. Vou recomendá-lo a meus amigos e colegas.
Mas não estou somente enviando este texto para elogiar seu livro, pois o mesmo já está na 5a edição. É certamente um sucesso editorial com certeza. Estou com uma dúvida que somente o sr. pode solucionar:
na página 104, da 5a. edição, o sr. diz: "Mobilizar equipe não é algo intuitivo, é algo técnico, que lida com o comportamento humano e, portanto, está sujeito a muitas variáveis." As palavras acima grifadas não estariam invertidas?
Digo isto porque nos últimos tempos tenho lido muitos livros e filmes sobre liderança, tais como:
"Sobre o ar rarefeito" - Krakauer - sobre a trágica escalada do Evereste em 1996, e o livro da expedição do alpinista russo.
"Shacketon" - pelo menos 4 livros, do próprio Shacketon, do fotógrafo da expedição, do imediato, e uma coletânea feita por uma pesquisadora, com a somatória de todos os relatos dos tripulantes.
"Alexandre, o Grande" - de Heródoto, o pai da história e uma outra fonte, além de ter visto o filme.
"O mestres dos mares" - que apesar de ser um romance de época, ele traz o perfil de um comandante intuitivo.
"Ramsés" - que governou o Egito por 60 anos, e escolhia seus coordenadores por pura intuição, seu reinado durou 60 anos.
"Zen - A arte de manutenção de motocicletas" - não é sobre liderança, mas é sobre valores.
Será que estou errado em fazer esta pergunta?
Atenciosamente,
Haroldo Kennedy Clebicar Nogueira
p.s.
a iconografia que o sr. usa em referência aos dinossauros, eu entendo sob o aspecto da extinção, mas sobre a metáfora que eles eram inertes ou ineficazes, não faz muita justiça à aquelas criaturas, pois eles viveram aqui na terra por 200 milhões de anos, e a única metáfora que realmente pode fazer justiça, é que eles foram instintos, junto com os outros 90% de todas as espécies. E certamente foi um cataclisma, pela mudança de temperatura (meteoro), vírus, ou as duas juntas. E antes dos dinossauros, período jurássico, existiu também o cambriano, há 600 milhões de anos. Que também por outro cataclisma, 99% das espécies foram aniquiladas. Estas também eram altamente especializadas. Lembrando que o uso do termo especialização, pressupõe-se que TODAS as espécies passaram também por períodos de adaptação e mudança para chegarem a condição de especialistas. Um exemplo é o tubarão, que tem sensores eletromagnéticos para caçar suas presas, e todos os outros sentidos, exceto a visão, muito apurados.
Sobre a questão do princípio de "conforto", já que tenho uma filha de quase 3 anos, que imagino que todas gostem de "conforto". Palavra que uso na amplitude máxima da sua significação: temperatura, espírito, emocional, material (e porque não?), moradia, alimentar, etc...Imagino que a manifestação de procurar algo diferente não é do "espírito" de uma criança, nem mesmo de um adulto com família. Este espírito inovador e não apegado à regras somente pode ser achado em pessoas que tem um bom "back-up", ou suporte (ou poderia ser a palavra: conforto?) econômico, emocional, material, ... Para que ele não se preocupasse com as rotinas do dia-a-dia. Geralmente jovens entre os 19 e 25 anos, inseridos num lugar ou bem calmo ou muito estressante, depende do ser humano que se deseja ter depois de extraído dele suas idéias. Um adulto com idéias imaginativas poderia ser muito bem taxado como um "lunático" ou pejorativamente, tendo "visões" não realistas para quem não consegue acompanhar seus devaneios. Posso citar com precisão a história de Mozart, um "gênio" da música, mas em sua época, que foi antes do romantismo e o surgimento do individualismo moderno, um louco, tratado pela corte francesa como um criado (igual a um serviçal qualquer, pois era o custume da época). Mais sorte teve Beethoven, que nasceu simplesmente 30 anos depois de Mozart, e foi considerado em vida, "gênio".
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