Amigos... 

Amigos...

Escolhi meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim um louco e santo.
Deles não quero respostas, quero meu avesso. Quero-os santos, para que não duvidem dos diferentes e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice.
Crianças para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que normalidade é uma ilusão estéril.
Oscar Wilde


Belo Horizonte, 03 dezembro de 2004, sexta-feira.

O texto acima enderecei-o para o amigo oculto feito nesta data, na empresa onde trabalho há 22 anos. Sou exatamente o contrário do texto do Oscar Wilde. Apesar de ter adquirido e aprendido com o tempo uma intuição muito grande, não a coloco em prática na maioria das vezes. Pois me carece ou carecia de segurança no que aprendi. Mas depois de muitas decepções, comecei a pratica-la (a intuição sobre os amigos

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