Conceitos e Práticas Para Análises de Falhas (Ad Hoc) - Parte I
CONCEITOS E PRÁTICAS PARAUMA ANÁLISE DE FALHAS (AD HOC)
“Certa vez, quando tinha seis anos, vi num livro sobre a Floresta virgem, ‘Histórias Vividas’, uma imponente gravura. Representava ela uma jiboia que engolia uma fera...[]
Refleti muito então sobre as aventuras da selva, e fiz, com lápis de cor, o meu primeiro desenho. Meu desenho número 1 era assim:
Mostrei minha obra-prima às pessoas grandes e perguntei se o meu desenho lhes fazia medo. Responderam-me: “Por que é que um chapéu faria medo?”
Meu desenho não representava um chapéu. Representava uma jibóia digerindo um elebante...[]
Quando encontrava uma [pessoa] que me parecia um pouco lúcida, fazia com ela a experiência do meu desenho número 1, uqe sempre conservei comigo. Eu queria saber se ela era verdadeiramente compreensiva. Mas respondia sempre: ‘É um chapeu’. Então eu não lhe falava nem de jibóias, nem de florestas virgens, nem de estrelas. Punha-me ao seu alcance. Falava-lhe de bridge, de golfe, de política, de gravatas. E a pessoa grande ficava encantada de conhecer um homem tão razoável...”
O Pequeno Príncepe, Antoine de Saint-Exupéry.
Objetivo:
Este material tem como objetivo, o de tentar difundir entre os leitores e os futuros analistas de qualidade, a cultura de explorar o desconhecido ou explorar o conhecido como uma segunda mente, desfeita de qualquer pré-conceito, condicionamento operante, ou o que chamamos literalmente de ignorância, esta, não pejorativamente falando, mas a ignorância sobre o assunto tratado. Desta maneira, teremos o que chamamos de “visão antropológica”, como se fóssemos um sertanista, se dirigindo para a última tribo indígina do planeta, sem o contato com a nossa cultura. Nada melhor que esta prática para entendermos nosso próprio desenvolvimento humano, mas no nosso caso, ententermos com uma ótica de usuário, o que as vezes se torna difícil para um programador ou analista fazê-lo, pois estes estão imersos num mundo das idéias e significados e valores comuns a um conjunto de pessoas onde convivem diariamente. Muitas vezes com a melhor das intensões, os procedimentos adotados por estes, programadores e analistas, serão inimagináveis para o usuário comum e vice-versa, aquele que não tem tanta familiaridade com os processos, regras de negócios do sistema desenvolvido, ou com a tecnologia baseada do sistema e intrínseca a ele. Quando mencionei “vice-versa”, também considerarei que muitas maneiras de fazer um processo, e modelado por uma pessoa escolhida daquele grupo alvo, pode não ser totalmente a “chave” ou a melhor forma de fazê-lo, ou simplesmente, quando pensamos que um dado processo vai seguir um caminho “cômodo” no ato do usurio executar a tarefa, este último, encontra um meio “alternativo” de ludibriar o sistema, “encontrando atalhos” que talves até o próprio analista ou programador não imaginou. Fazendo isto podemos ter duas nuances: a primeira negativa, um processo pode ser burlado sem que o sistema contasse com a atitude do usuário, a segunda, a que o processo poderia ser até revisto na forma, a terceira: qualquer uma das duas anteriores, o sistema deveria ser revisto e ser acrescentado informações de quem e como o usuário fez esta operação, e providências seriam tomadas para evitá-la no futuro.
Introdução:
Antes de iniciar os aspectos estritamente técnicos de análise de falhas, temos que assimilar alguns conceitos teóricos sobre como nosso cérebro trabalha, e NÃO confiar somente NELE, mas sim no que chamamos de dados coletados com parâmetros para diminuir nossa subjetividade e a tendência natural de consider os dados mais POSITIVOS para nosso projeto como os aceitáveis e negligenciar os NEGATIVOS, ou mesmo não inserí-los num contexto. Alguns nomes aparecerão para nós de uma matéria essencialmente técnica, como muito filosófica. Mas não tenha dúvidas sobre que dominar estes conceitos é dominar e conhecer mais como funciona o nosso cérebro, não fisiologicamente falando, mas num âmbito maior, o nosso processo interno de cognição.
Conceitos:
“A imaginação e a memória são uma única e a mesma
coisa, que por diversas considerações tem nomes diversos.”
Thomas Hobbes, Leviatã (1651)
· Memória, memória reprimida, falsa memória:
Memória é a retenção e recordação de experiências. Uma memória reprimida é uma que se diz ser retida na mente inconsciente, onde pode afetar pensamento e ação mesmo se aparentemente se esqueceu a experiência em que a memória se baseia. Uma falsa memória é uma memória que se baseia no ouvir dizer ou sugestão. A falsa memória difere da memória errônea. Esta baseia-se em experiências reais que são recordadas incorretamente. Falsa memória são memórias de ter experimentado algo que na realidade nunca se experimentou.
Quão fiável e correta é a memória? Enganamo-nos muitas vezes ao pensar que nos recordamos corretamente de algo. Estudos sobre a memória mostram que muitas vezes construímos as nossas memórias após o fato, que somos susceptíveis a sugestões de outros que ajudam a preencher os buracos na nossa memória de um dado evento. É por isso que um policial, ao investigar um crime, não deve mostrar uma fotografia de um só individuo à vitima e perguntar se esta reconhece o assaltante. Se é apresentado à vitima com uma linha de suspeitos para identificar e ela escolhe o individuo cuja fotografia lhe tinham mostrado, não há maneira de saber se ela se está a recordar do assaltante ou da fotografia.
Outro fato interessante sobre a memória é que estudos mostram que não há uma correlação significativa entre o sentimento subjetivo da certeza que uma pessoa tem acerca de uma memória e a exatidão dessa memória. Também, contrariamente ao que muitas pessoas pensam, a hipnose não ajuda à exatidão da memória. Porque o sujeito é extremamente sugestionável enquanto hipnotizado, a maioria dos países não permitem testemunhos em tribunal feitos sob hipnose. É possível criar falsas memórias nas pessoas por sugestão, mesmo memórias de vidas anteriores que nunca foram vividas. Tavris resume o estado atual da investigação da memória:
A mente não recorda todo o detalhe de um acontecimento, mas apenas alguns dados; preenchemos o resto baseados no que "deve ter sido". Para um acontecimento ficar guardado a longo prazo, uma pessoa tem de o perceber, codificar e ensaiá-lo--falar sobre ele--ou ele decai. (Isto parece ser o mecanismo principal por trás da amnésia infantil, o fato das crianças não desenvolverem memórias a longo prazo até cerca dos 3 anos) A pesquisa mostra também que mesmo experiências emocionais que estamos certos nunca esqueceremos--o assassinato de Kennedy, a explosão do Challenger--tornar-se-ão vagas na memória, e os erros assaltarão o relato do que permanece.
Tavris também reconta uma história sobre Jean Piaget, o célebre psicólogo infantil. Piaget afirmava que as suas mais antigas memórias eram de ter sido quase raptado com a idade de 2 anos. Recordava detalhes como estar sentado no carro de bebê, ver a enfermeira defender-se do raptor, arranhões na cara dela, um policia perseguindo o raptor. A história era reforçada pela enfermeira, os pais e outros que a tinham ouvido. Piaget estava convencido que se recordava do acontecimento. Contudo, ele nunca aconteceu. Treze anos depois da alegada tentativa de rapto, a antiga enfermeira escreveu aos pais de Piaget a confessar que tinha inventado toda a história. Piaget escreveu posteriormente: "Devo portanto ter ouvido, enquanto criança, o relato desta história... e projetado-a no passado em forma de memória visual, que era uma memória de uma memória, mas falsa." Bem falado...[]
Links
· False Memory Syndrome Foundation WWW Page
· Recovered Memories or Modern Witch Hunt? by Douglas E. Hill
· Information on Paul Ingram case (of Olympia, Washington)
· Recovered Memory Therapy and False memória Syndrome by John Hochman, M.D.
· Clinicans' Experiences Regarding Recovery of Sexual Abuse Memories
· Witchhunt Information Page
· Streetmap of the Mind
· Neurosciences on the Internet
· Journals from Cold Spring Harbor Laboratory Press on Learning and Memory
· Recovered Memories of Sexual Abuse: Scientific Research & Scholarly Resources by Jim Hopper, M.A.
· Newton's Apple: Memory for kids of all ages!
Baker, Robert A. Hidden Memories: Voices and Visions From Within (Buffalo, N.Y. : Prometheus Books, 1992.)
Loftus, Elizabeth F. Memory, Surprising New Insights Into How We Remember and Why We Forget (Reading, Mass.: Addison-Wesley Pub. Co., 1980).
Loftus, Elizabeth F. Eyewitness Testimony (Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 1979).
Loftus, Elizabeth F. and James M.Doyle. Eyewitness Testimony: Civil and Criminal (New York, N.Y.: Kluwer Law Book Publishers, 1987).
Loftus, Elizabeth and Katherine Ketcham. Witness for the Defense : The Accused, the Eyewitness, and the Expert Who Puts Memory on Trial (New York: St. Martin's Press, 1991).
Loftus, Elizabeth. The Myth of Repressed Memory (New York: St. Martin's, 1994).
Ofshe, Richard and Ethan Watters. Making Monsters: False Memories, Psychotherapy, and Sexual Hysteria (New York: Scribner's, 1994).
Schacter, Daniel L. Searching for Memory - the brain, the mind, and the past (New York: Basic Books, 1996).
Wakefield, Hollida and Ralph Underwager. Return of the Furies - An Investigation into Recovered Memory Therapy (Peru, Illinois: Open Court Publishing Co., 1994).
· Mente
A mente é o lugar do pensamento, crenças, memórias, desejos, esperanças, análises, etc. A mente é considerada pelos dualistas como uma substância imaterial, capaz de existência como uma entidade consciente, independente de qualquer corpo físico.
Materialistas metafísicos, por outro lado, consideram-na como ou o cérebro ou uma entidade separada de mas tornada possível pelo trabalho do cérebro. Esta doutrina tem o nome de epifenomenalismo. Para uma "mente" materialista é um termo geral para o conjunto de processos ou atividades que se podem reduzir a processos cerebrais, neurológicos e fisiológicos.
Links
· "Deciphering the Miracles of the Mind ," por Robert Lee Hotz. Los Angeles Times, October 13, 1996.
· Streetmap of the Mind
· Neurosciences on the Internet
· Churchland, Patricia Smith. Neurophilosophy - Toward a Unified Science of the Mind-Brain (Cambridge, Mass.: MIT Press, 1986).
· Dennett, Daniel Clement. Brainstorms: Philosophical Essays on Mind and Psychology (Montgomery, Vt.: Bradford Books, 1978).
· Dennett, Daniel Clement. Consciousness explained ilustrado por Paul Weiner (Boston : Little, Brown and Co., 1991).
· Dennett, Daniel Clement. Kinds of minds : toward an understanding of consciousness (New York, N.Y. : Basic Books, 1996).
· Dennett, Daniel Clement. Elbow room : the varieties of free will worth wanting (Cambridge, Mass. : MIT Press, 1984).
· Hofstadter, Douglas R. and Daniel C. DennettThe mind's I : fantasies and reflections on self and soul (New York : Basic Books, 1981).
· Ryle, Gilbert. The Concept of Mind (New York: Barnes and Noble: 1949).
· Sacks, Oliver W. Awakenings; A leg to stand on; The man who mistook his wife for a hat, and other clinical tales (New York: Quality Paperback Book Club, 1990).
· A navalha de Occam
A navalha de Occam é também chamada o principio da parcimônia. Hoje em dia é interpretada como "a explicação mais simples é a melhor" ou "não multiplique hipóteses desnecessariamente." Em qualquer caso, a navalha de Occam é o principio que é freqüentemente usado fora da ontologia, isto é, por filósofos da ciência num esforço de estabelecer critérios para escolher entre várias teorias com igual valor explicatório. Quando dando razões explicativas para algo, não postule mais que o necessário
Links
Internet Encyclopedia of Philosophy "William of Ockham"
Hyman, Arthur and James J. Walsh, Philosophy in the Middle Ages 2nd ed. (Indianapolis: Hackett Publishing Co., 1973).
W.M. Thorburn, "The Myth of Occam's Razor," Mind 27:345-353 (1918).
· Efeito placebo:
Efeito placebo é o efeito mensurável ou observável sobre uma pessoa ou grupo, ao qual tenha sido dado um tratamento placebo.
Um placebo é uma substância inerte, ou cirurgia ou terapia "de mentira", usada como controle em uma experiência, ou dada a um paciente pelo seu possível ou provável efeito benéfico. O por quê de uma substância inerte, uma assim chamada "pílula de açúcar," ou falsa cirurgia ou terapia fazerem efeito, não está completamente esclarecido.
leitura adicional
· A Prescrição de Placebos - New York Times Magazine 1/09/2000
· O Misterioso Placebo by John E. Dodes
· O efeito placebo é a força curativa da natureza por G. Zajicek
· Página do Placebo do Dr. Rentzman
· "O Efeito Placebo É Responsável Por Cinqüenta Por Cento Da Melhora Em Pacientes Deprimidos Tomando Antidepressivos" pela American Psychological Association
· "Placebo como Sugestão" por Charles Henderson, Ph.D. (interessante experiência em anúncios subliminares.)
Harrington, Anne. ed. The Placebo Effect : An Interdisciplinary Exploration (O Efeito Placebo: Uma Exploração Interdisciplinar)(Harvard University Press, 1999)
Hartwick, Joseph J. Placebo Effects in health and Disease: Index of new Information with Authors, Subjects, and References (Efeitos Placebo na Saúde e na Doença: Índice de novas Informações com Autores, Assuntos e Referências) (Washington, D.C.: ABBE Publications Association, 1996).
Ogelsby, Dr. Paul. The Caring Physician : The Life of Dr. Francis W. Peabody (O Médico Atencioso: A Vida do Dr. Francis W. Peabody)(Harvard University Press, 1991).
Shapiro, Arthur K. e Elaine. The Powerful Placebo: From Ancient Priest to Modern Physician (O Poderoso Placebo: Do Antigo Sacerdote ao Moderno Médico) (Johns Hopkins University Press, 1997).
Stanovich, Keith E. How to Think Straight About Psychology (Como Pensar Corretamente Sobre a Psicologia), 3a. ed., (New York: Harper Collins, 1992).
Sternberg, Esther M. e Philip W. Gold. "The Mind-Body Interaction in Disease," (A Interação Mente-Corpo na Doença) Scientific American, edição especial "Mistérios da Mente," (Janeiro 1997).
White, Leonard, Bernard Tursky and Gary Schwartz. Placebo: Theory Research, and Mechanisms (Placebo: Pesquisa da Teoria e Mecanismos), ed. (New York: Guilford Press, 1985).
· Pensamento seletivo
Pensamento seletivo é o termo usado para descrever o processo pelo qual selecionamos os dados favoráveis a uma hipótese, enquanto ignoramos os dados desfavoráveis. Este tipo de pensamento é a base de muitas crenças nos poderes psíquicos. É a base para muitas, se não todas, as crenças, incluindo astrologia, grafologia e testes de personalidade como Myers-Briggs
Leituras
Randi, James. Flim-Flam! (Buffalo, New York: Prometheus Books,1982).
· Pensamento post hoc
Literalmente,depois disto, uma abreviação do latim, post hoc ergo propter hoc (depois disto, logo por causa disto). A falácia é baseada no erro de que porque uma coisa sucede após outra, a primeira foi causa da segunda. Muitos acontecimentos sucedem-se sem estarem relacionados por causa/efeito. Por exemplo, bebe líquidos e duas semanas depois a gripe desaparece. Faz algo muitíssimo bem, esquecendo-se nesse dia de tomar banho, pelo que a próxima vez que tiver de fazer algo excepcional não toma banho. Muitas tribos batem tambores durante um eclipse solar para fazer os deuses devolverem o sol: tem funcionado sempre! Apenas porque uma coisa sucede após outra não podemos estabelecer que os dois estão causalmente relacionados.
Usa um pau no campo e encontra água. Pensa que a moeda vai cair caras para cima e a moeda cai. Tem uma "visão" de que um corpo está perto de água e passado tempos aparece um corpo junto a um rio. Coincidências acontecem. Para estabelecer a conexão de causalidade entre dois acontecimentos, devem-se eliminar outros fatores como o acaso, ou outra relação causal não conhecida. Seqüências não estabelecem uma probabilidade de causalidade, não mais que as correlações.
· Hipóteses ad hoc
Hipótese ad hoc é aquela criada para dar uma explicação para fatos que pareçam refutar a teoria de alguém. As hipóteses ad hoc são comuns nas pesquisas do paranormal e nos trabalhos de pseudocientistas.
leitura adicional
Gardner, Martin. The Whys of a Philosophical Scrivener [Os Porquês de Um Escrevente Filosófico] (New York: Quill, 1983).
Gould, Stephen Jay. Ever Since Darwin [Desde Darwin] (New York: W.W. Norton & Company, 1979).
· Estudo de controle
Um estudo de controle é um em que se usa um grupo de controle para comparar com um grupo experimental num teste de uma hipótese causal.
Por exemplo, digamos que um amigo seu afirma que qualquer um pode criar a sua sorte e fazer coisas acontecerem usando apenas o poder da vontade. Ele diz-lhe que não existem coincidências e que cada um cria a sua realidade.
No inicio é repelido e atraído simultaneamente pelas noções do seu amigo. A idéia de ser capaz de fazer o mundo conformar-se aos seus desejos é muito atraente. Por outro lado, já vive neste mundo há tempo suficiente para saber que não é bem assim. A sua experiência parece contradizer as afirmações. Boa sorte e má sorte parecem cair indiscriminadamente sobre as pessoas. Coisas boas e coisas más acontecem de igual modo a pessoas boas e pessoas más. Mas sabe que as pessoas dizem que fulano tem "sorte", enquanto outros têm "azar". Talvez não seja o destino ou o acaso que fazem as pessoas sortudas ou azaradas....[]
Para o ajudar a decidir que afirmação testar, tem de considerar o que o teste de controle deve atingir. Quer ser capaz de comparar dois grupos, um grupo de controle e um grupo de experimentação. Quer que o grupo experimental use técnicas de modo a atingir um efeito especifico, mensurável ou observável. Quer que o grupo de controle não seja diferente de nenhum modo do outro grupo exceto no fato de que não usarão qualquer técnica. Raciocina que se existir uma diferença significativa entre os grupos, isso se deverá a presença ou ausência da vontade da mente nos dois grupos.
O motivo porque quer fazer um estudo de controle é porque se só estuda aqueles que usam a vontade mental, não consegue eliminar outras causas possíveis para os efeitos que observar.
Links
Giere, Ronald, Understanding Scientific Reasoning, 2nd ed,(New York, Holt Rinehart, Winston: 1984.
Kourany, Janet A., Scientific Knowledge: Basic Issues in the Philosophy of Science, Belmont: Wadsworth Publishing Co., 1987.
Sagan, Carl. The Demon-Haunted World: Science as a Candle in the Dark, New York:Random House, 1995.
· Temas para fugir do assunto:
Stephen Downes
Universidade de Alberta
As falácias desta seção fogem ao assunto, discutindo a pessoa que avançou um argumento em vez de discutir razões para aceitar ou não aceitar a conclusão. Em algumas ocasiões é aceitável citar autoridades, (por exemplo, citar o médico para justificar o uso de um medicamento) quase nunca é apropriado discutir a pessoa em vez dos seus argumentos.
Ataques pessoais (argumentum ad hominem)
Ataca-se pessoa que apresentou um argumento e não o argumento que apresentou. A falácia ad hominem assume muitas formas. Ataca, por exemplo, o caráter, a nacionalidade, a raça ou a religião da pessoa. Em outros casos, a falácia sugere que a pessoa, por ter algo tem algo a ganhar com o argumento, é movida pelo interesse. A pessoa pode ainda ser atacada por associação ou pelas suas companhias.
Há três formas maiores da falácia ad hominem:
1. Ad hominem (abusivo): em vez de atacar uma afirmação, o argumento ataca pessoa que a proferiu.
2. Ad hominem (circunstancial): em vez de atacar uma afirmação, o autor aponta para as circunstâncias em que a pessoa que a fez e as suas circunstâncias.
3. Tu quoque: esta forma de ataque à pessoa consiste em fazer notar que a pessoa não pratica o que diz.
Exemplos:
1. Podes dizer que Deus não existe mas estás apenas a seguir a moda (ad hominem abusivo).
2. É natural que o ministro diga que essa política fiscal é boa porque ele não será atingido por ela (ad hominem circunstancial).
3. Podemos passar por alto as afirmações de Simplício porque ele é patrocinado pela indústria da madeira (ad hominem circunstancial).
4. Dizes que eu não devo beber, mas não estás sóbrio faz mais de um ano (tu quoque).
Prova: Identifique o ataque e mostre que o caráter ou as circunstâncias da pessoa nada tem a ver com a verdade ou falsidade da proposição defendida.
Referências: Barker: 166; Cedarblom e Paulsen: 155; Copi e Cohen: 97; Davis: 80.
Apelo à autoridade (argumentum ad verecundiam)
Ainda que às vezes seja apropriado citar uma autoridade para suportar uma opinião, a maioria das vezes não o é. O apelo à autoridade é especialmente impróprio se:
1. A pessoa não está qualificada para ter uma opinião de perito no assunto.
2. Não há acordo entre os peritos do campo em questão.
3. A autoridade não pode, por algum motivo ser levada a sério — porque estava brincar, estava ébria ou por qualquer outro motivo.
Uma variante da falácia do apelo à autoridade é o "ouvi dizer" ou "diz-se que". Um argumento por "ouvir dizer" é um argumento que depende de fontes em segunda ou terceira mão.
Exemplos:
1. O famoso psicólogo Dr. Frasier Crane recomenda-lhe que compre o último modelo de carro da Skoda.
2. O economista John Kenneth Galbraith defende que uma apertada política econômica é a melhor cura para a recessão. (Apesar de Galbraith ser um perito, nem todos os economistas estão de acordo nesta questão.)
3. Encaminhamo-nos para uma guerra nuclear. A semana passada Ronald Reagan disse que começaríamos a bombardear a Rússia em menos de cinco minutos. (Claro que o disse por piada ao testar o microfone.)
4. Sousa disse que nunca perdoaria ao Pinto. (Trata-se de um caso de “ouvir dizer” — de facto ele apenas disse que Pinto nada tinha feito para ser perdoado.)
Prova: Mostre uma de duas coisas (ou ambas):
1. A pessoa citada não é uma autoridade no campo em questão;
2. Entre os especialistas não há consenso sobre o assunto discutido.
Referências: Cedarblom and Paulsen: 155; Copi e Cohen: 95; Davis: 69.
Autoridade anônima
A autoridade em questão não é nomeada. Isto é uma forma de apelo à autoridade porque quando a autoridade não é nomeada é impossível confirmar se se trata de um perito. Esta falácia é tão comum que merece uma menção especial. Uma variante desta falácia é o apelo ao rumor. Como a fonte do rumor é, em regra, desconhecida, não é possível verificar se o rumor merece crédito. Rumores falsos e caluniosos são lançados muitas vezes intencionalmente com o objetivo de desacreditar o oponente.
Exemplos:
1. Um membro do governo disse que uma nova lei sobre posse e uso de armas será proposta amanhã.
2. Os peritos dizem que a melhor maneira de prevenir uma guerra nuclear é estar preparado para ela.
3. Sabe-se que milhares de operações desnecessárias são realizadas todos os anos.
4. Diz-se que o primeiro-ministro vai decretar outro feriado antes das eleições.
Prova: Argumente que pelo fato de não conhecermos a fonte e a base da informação, não temos maneira de avaliar a fiabilidade da informação.
Referências: Davis: 73.
Estilo sem substância
Pretende-se que o modo como o argumento ou o argumentador se apresentam contribui para a verdade da conclusão.
Exemplos:
1. Nixon perdeu o debate presidencial porque tinha suor na testa.
2. Trudeau sabe dirigir as massas. Ele deve ter razão.
3. Por que não aceitas o conselho daquele jovem elegante e bem parecido?
Prova: É um fato que o modo como o argumento é apresentado, influencia a crença das pessoas na verdade da conclusão. Mas a verdade da conclusão não depende do modo como o argumento é apresentado. Para mostrar que esta falácia está a ser cometida, mostre que, neste caso, o estilo não afeta a verdade ou a falsidade da conclusão.
Referências: Davis: 61.
Stephen Downes
Tradução e adaptação de Júlio Sameiro
· A falácia do jogador
A falácia do jogador é a noção errada de que as probabilidades de algo com uma probabilidade fixa aumentam ou diminuem dependendo das ocorrências recentes.
Por exemplo, um Loto em que se escolhem 6 números e se verificam contra 51. Parece fácil. As probabilidades? Uma semana típica: os números são 5, 7, 21, 32, 44, 46. se programar um computador para gerar aleatoriamente seis numero em cada segundo, pode tirar umas férias e voltar por volta de 10 de Abril de 2004.
A probabilidade de acertar os 6 números são de 1 em 18.009.460; 5 são de 1 em 66.702; 4, 1 em 1.213; 3, 1 em 63.
A probabilidade de ganhar qualquer coisa é de 1 em 60. Se comprar 100 bilhetes por semana, pode esperar ganhar em média cada 3.463 anos.
Pode pensar que aumenta as suas hipóteses escolhendo números que não saíram em recentes tiragens, ou escolhendo números que saíram mais freqüentemente. Em qualquer dos casos está a cometer a falácia do jogador. As probabilidades são sempre as mesmas, independentemente dos números que saíram no passado.
(Nota: Nenhum dos valores indicados foram verificados pelo nosso Estatístico.A responsabilidade pelo seu uso é sua.)
· A lei dos números muito grandes*
A lei dos números muito grandes diz que, com uma amostra suficientemente grande, muitas coisas estranhas demais para parecerem coincidências, são, na verdade, prováveis e nada estranhas.
Por exemplo, pode achar estranho que uma pessoa ganhe duas vezes a lotaria, pensando que as probabilidades são astronômicas. O New York Times fez uma história sobre uma mulher de New Jersey que ganhou duas vezes a loteria americana, dizendo que as probabilidades eram de "1 em 17 trilhões." Contudo, os estatísticos Stephen Samuels e George McCabe da Universidade de Purdue calcularam a probabilidade de alguém ganhar a loteria duas vezes num período de 4 meses como de 1 para 30. Porquê? Porque os jogadores não compram um bilhete para cada uma das duas lotarias, compram vários bilhetes múltiplos por semana (Persi e Mosteller).
Algumas pessoas acham surpreendente que existam mais de 16 milhões de pessoas no planeta que partilham o seu dia de aniversário. Num jogo de futebol com 50.000 espectadores, devem partilhar o seu dia de anos com cerca de 135 outros. (A exceção é os que nasceram a 29 de Fevereiro. Há apenas cerca de 34 espectadores nascidos nesse dia.)
Por outro lado pode dizer que as probabilidades de algo acontecer são de 1 milhão para um. Tal valor parece tão grande que elimina a possibilidade de coincidências. Contudo, com cerca de 6 bilhões de pessoas na terra, um milhão é algo que deve ocorrer freqüentemente. Digamos que a possibilidade de uma pessoa sonhar com a queda de um avião e no dia seguinte um cair é de 1 para 1 milhão. Com 6 bilhões de pessoas tendo uma média de 250 sonhos por noite, devem existir 1,5 milhões de pessoas por dia tendo sonhos que parecem clarividência. O numero deve ser superior, visto termos tendência a sonhar com coisas que nos preocupam ou interessam.
* Esta lei, é muito prática para entender o porquê que o algoritmo de cálculo do dígito verificador usada hoje pela CEMIG pode ser falha, pois um dígito apenas é pouco para estabelecer a uma diferenciação para tamanha abrangência do campo específico “valor da conta”.
Links
Diaconis, Persi and Frederick Mosteller, "Coincidences," em The Encyclopedia of the Paranormal, ed. G. Stein (Amherst, N.Y.: Prometheus Books, 1996).
Hines, Terence. Pseudoscience and the Paranormal (Buffalo, NY: Prometheus Books, 1990).
· Anomalias
Uma anomalia (literalmente, não lei) é um acontecimento irregular ou invulgar que não encaixa numa regra ou lei standard. Por exemplo, um sapo quando salta deve mover-se no ar e cair para o solo, de acordo com a lei da gravidade. Se o sapo se mantivesse suspenso no ar, tal levitação era uma anomalia. Se descobrisse, contudo, que o sapo ficava suspenso no ar graça a instrumentos eletromagnéticos, a anomalia desaparecia.
Qualquer coisa estranha, anormal, ou difícil de classificar é considerada uma anomalia.
Em ciência, uma anomalia é algo que não pode ser explicado pelas teorias cientificas correntemente aceites.
Links
· Science Frontiers - relata anomalias cientificas
· Strange Magazine - relata fenómenos estranhos
· Anomalies - base de dados do paranormal
· Weird Science
· Society for Scientific Exploration (de coisas estranhas)
The Princeton Engineering Anomalies Research
· Apelo à autoridade:
O apelo irrelevante à autoridade pode ser definido como a tentativa de dar suporte a uma crença controversa apelando ao facto de que partilhamos a crença com uma pessoa importante como Einstein ou Jesus. A pessoa importante é tida como dando autoridade à crença. Pelo menos, o apelo à autoridade estabelece que estamos em boa companhia. Este apelo é geralmente combinado com evidência suprimida nomeadamente o não mencionar pessoas importantes que defendem a opinião oposta, como Epicuro, Hobbes, Spinoza, Diderot ou Bertrand Russell. Pelo contrário, o apelo irrelevante à autoridade é muitas vezes acompanhado por ataques ad hominem. Tentamos dar suporte contra um contrário notando que pessoas más ou diabólicas compartilham o seu ponto de vista. Por exemplo, notamos que Nietzsche, que enlouqueceu, era um ateu.
· Argumento da ignorância:
A falácia do argumento da ignorância ocorre quando alguém tenta argumentar que algo é verdadeiro porque se não provou ser falso, ou argumentar que algo é falso por não se ter provado ser verdade. Esta falácia seria melhor designada por "falácia da falta de prova suficiente do contrário". Porque a falácia não pretende afirmar que a pessoa é ignorante. A sua irrelevância baseia-se no fato de que a falsidade de uma afirmação deve ser mostrada refutando provas dela, não apontando o fato de que o seu proponente não provou que era verdadeira. Não posso provar que a teoria de Einstein da relatividade é verdadeira, mas isso não é relevante para a verdade ou falsidade da teoria. Não posso provar que extraterrestres visitaram este planeta e invadiram o corpo de Rush Limbaugh, mas isso não tem relevância para a questão de tal afirmação ser verdadeira.
Se pensar em ignorância como sem conhecimento, o nome desta falácia não é tão enganador como pode parecer. A falácia ocorre quando a falta de conhecimento de que uma posição é verdadeira leva à conclusão de que a posição oposta é verdadeira.
· Auto-ilusão:
94% dos professores universitários acham que são melhores no seu trabalho que os seus colegas.
25% dos estudantes acreditam estarem no 1% do topo em termos da capacidade de se relacionarem com os outros.
70% dos estudantes consideram-se acima da média na capacidade de liderança. Só 2% pensam estar abaixo da média.
-Dados retirados do livro de Thomas Gilovich How We Know What Isn't So
Auto-ilusão é o processo de nos enganarmos a nós mesmos de modo a aceitar como verdadeiro ou válido o que é falso ou inválido. É, de um modo abreviado, uma maneira de justificarmos crenças falsas a nós mesmos.
Quando filósofos e psicólogos discutem auto-ilusão, usualmente focam-se nas motivações inconscientes e nas intenções. Geralmente consideram a auto-ilusão uma coisa má, algo de que nos devemos proteger. Para explicar como funciona a auto-ilusão, falam no interesse próprio, preconceito, desejo, insegurança e outros fatores psicológicos que, inconscientemente, afetam de um modo negativo a vontade de acreditar. Um exemplo comum é os pais que acreditam que o filho está a dizer a verdade mesmo se as evidências apontam claramente o contrário. Os pais iludem-se porque desejam que a criança esteja a dizer a verdade. Uma tal crença é considerada mais enganadora que a devida à falta de habilidade de avaliar as provas corretamente. Aquela passa por um erro moral, uma espécie de desonestidade, e é irracional. A segunda é uma questão de fé: algumas pessoas não são capazes de inferir corretamente a partir dos dados da percepção e da experiência.
Contudo, é possível que os pais deste exemplo acreditem na criança porque a conhecem intimamente e não conheçam os seus acusadores. Os pais podem não ser afetados por desejos inconscientes e raciocinar na base do que sabem sobre a criança mas não sabem do outro envolvido. Os pais podem ter razões muito boas para confiar na criança e não confiar nos acusadores. Em resumo, um ato de auto-ilusão aparente pode ser explicado em termos puramente cognitivos sem nenhuma referência às motivações inconscientes ou ao irracional. A auto-ilusão pode não ser uma falha moral ou intelectual. Pode ser o resultado existencial inevitável de uma pessoa basicamente honesta e inteligente que tenha um conhecimento extremamente bom da sua criança, que sabe que as coisas não são sempre o que parecem ser, que não tem quase nenhum conhecimento dos acusadores da criança, e que, assim, não tem razões suficientes para duvidar da criança. Pode ser que um observador independente examine a situação e concorde que as provas indicam que a criança está a mentir, mas se assim não fosse nós diríamos que estava enganado, não auto-iludido. Consideramos que os pais estão iludidos porque assumimos que não estão apenas enganados, mas a serem irracionais. Como podemos ter a certeza?
Um caso mais interessante seria um onde (1) um pai tem boas razões para acreditar que a criança diz provavelmente a verdade em qualquer situação, (2) as provas objetivas apontam para a inocência, (3) o pai não tem nenhuma razão particular para confiar nos acusadores da criança, mas (4) o pai acredita nos acusadores da criança. Tal caso quase impossível de explicar assumir qualquer espécie de motivação inconsciente e irracional (ou desordem cerebral) da parte do pai. Contudo, se a incompetência cognitiva for permitida como explicação para uma opinião aparentemente irracional, então os mecanismos psicológicos inconscientes não são necessários neste caso.
Felizmente, não precisamos de saber se a auto-ilusão se deve a motivações inconscientes ou não, para saber que existem situações em que a auto-ilusão é tão comum que devemos proteger-nos dela sistematicamente para a evitar.
Links
· Beyond Science
· NEH Grant Aids Davidson Philosopher's Study of Self-Deception
Gilovich, Thomas. How We Know What Isn't So: The Fallibility of Human Reason in Everyday Life (New York: The Free Press, 1993)
Kahane, Howard. Logic and Contemporary Rhetoric: The Use of Reason in Everyday Life, 8th edition (Wadsworth, 1997).
Taylor, Shelly E. Positive Illusions: Creative Self-Deception and the Healthy Mind (New York: Basic Books, 1989).
Wiseman, Richard. Deception & Self-Deception : Investigating Psychics (Prometheus, 1997).
· Todos os itens acima foram tirados da URL http://brazil.skepdic.com/
Condições propícias ao ato motivacional:
“Quando o estilo de comportamento motivacional é aquele que caracteriza a busca da ação, existem condições oferecidas pelo meio ambiente consideradas como favoráveis, isto é, facilitam que seja investida grande quantidade de energia naquilo que se faz. Essas condições são:
· A facilidade de comprovar eficiência pessoal na resolução de problemas inéditos e de tal forma difíceis a ponto de poderem ser considerados como um desafio.
· A autonomia oferecida deve permitir que se possa desenvolver diferentes tipos de atividades tornando as iniciativas que se fazem necessárias para a resolução das dificuldades presentes.
· O convívio com pessoas é feito com aqueles que também procuram demonstrar o seu valor pessoal, portanto, onde todos são tratados de igual para igual, mas onde cada um assume a responsabilidade daquilo que faz.
· Quando pessoas dizem aquilo que pensam de forma direta, se rodeios, indo logo ao que interessa, sem medo de ferir susceptibilidades.
· As pessoas com as quais se convive são também ágeis e parecem sempre prontas a entrar em ação, antes de esperar que se percam oportunidades importantes." 14
Condições restritivas ao ato motivacional:
“As pessoas voltadas para os norteadores comportamentais da ação sentem-se pouco à vontade e relutam em colocar-se em ação quando se sentem dentro das seguintes condições ambiemtais:
· Situações com as quais deve lidar e os problemas que precisa resolver são rotineiros e repetitivos, não se tendo a oportunidade de usar os recursos pessoais, na sua plenitude.
· O seu desenvolvimento pessoal está irremediavelmente bloqueado não se vendo possibilidade de progresso nem de remoção dos obstáculos encontrados no caminho até atingir-se a meta onde se pretenda chegar.
· As pessoas com as quais se convive têm medo de assumir responsabilidade daquilo que fazem, preferindo fugir por meio de desculpas a enfrentar situações difíceis.
· Tudo demora muito para ser resolvido, não se toma a iniciativa de resolver a grande maioria das coisas, onde nada parece chegar ao seu final e dar resultados.
· Os pensamentos são tortuosos não deixando claro intenções nem objetivos a serem atingidos, bem como quando as pessoas não parecem levar em conta o resultado de suas ações.” 14
Como reconhecemos o empregado motivado:
a) “Eficaz: pois resolve efetiva e definitivamente os problemas que lhe são confiados, assumindo a responsabilidade pelo que faz.
b) Um gerador de energia: quando se realimenta pela satisfação que sente no próprio trabalho, não percebendo o passar das horas.
c) Alguém presente: dando personalidade àquilo que faz, tira sua energia da ação e é vibrante a respeito das suas descobertas pessoais.
d) Uma pessoa feliz: só se queixa quando esgotou as próprias alternativas para resolvê-las, sendo objetivo quando propões seus problemas.
e) Um ser identificado: sentindo que sua vida pessoal e sua vida de trabalho se complementam harmonicamente sem se confundirem.” 14
Como reconhecemos o empregado desmotivado:
a) “Apenas eficiente: cumpre simplesmente aquilo que reza a sua descrição de cargo, evitando, assim, que alguém o incomode com queixas a seu respeito.
b) Extra-motivado: pois sofre de repetidas crises de desânimo, necessitando, com freqüência, de estimuladores (elogios ou punições) para que continue a movimentar-se.
c) Um eterno insatisfeito: tem sempre prontas suas queixas pessoais e cumpre o seu trabalho como se estivesse fazendo um favor a alguém.
d) Um grande ausente: quando acredita que a causa das suas satisfações e insatisfações está somente fora dele e que é vítima de acontecimentos incontroláveis.
e) Uma pessoa sem sentido: vivendo o desconforto da desintegração entre aquilo que gostaria de ser e aquilo que exigem dele, não conseguindo conciliar sua vida pessoal com sua vida de trabalho.”14
Bergamini, Cecília Whitaker,
Motivação / Cecília Whitaker Bergamini, --3a ed. – São Paulo: Atlas, 1990.
ISBN: 85-224-0644-8
Primeira Lição:
Consiga um bom caderno, lápis e borracha para anotar tudo o que jugar importante. Faça lembretes no manual nas partes em que ficou com dúvidas para futuras pesquisas e não deixe para de conseguir a conclusão e resposta de sua dúvidas.Leia o manual do equipamento, a norma em relação ao processo, a documentação nescessária para pelo menos começar de algum ponto, para não “caminhar em círculos” como se diz nas caminhadas, quando não se tem uma bússula. Do contrário da caminhada, se você pode até atentar que já passou pelo mesmo caminho, deixando uma marca qualquer ou um ponto de referência. Mas quando se trata de um sistema computacional, talvez você ache as telas todas iguais no início. Mas lembre-se sempre que o manual é uma informação dada de quem teoricamente conhece todo o sistema, dirigida para quem desconhece por completo o mesmo. Exceto para aqueles casos que o usuário é o um dos que conhecem as intrincadas regras do negócio, e o mesmo foi o analista de negócios do sistema (lê-se: o que documentou as regras de negócio) e trabalhou em conjunto com o analista da aplicação, o responsável pela documentação do sistema na forma de UML, que por sua vez, o programador irá codificar.
Segunda Lição:
Não confiar em nossa memória ou nas aparências! Anote tudo o que você verificar como uma anormalidade e também as seqüências que você intuitivamente notar que seriam “as normais”, mesmos as mais aparentemente irrelavantes ocorrências (que serão previamente classificadas em duas – normais e anormais ou falhas). Fazendo isto, num determinado momento, através de suas anotações históricas, você vai colocar estas ocorrências em um itens mais detalhados, que chamaremos: processo normal e sua falha, ou quando mais de uma alteração do processo leva a várias falhas. Existem 3 modos de nossa “memória” nos enganar.
A primeira é como vemos os acontecimentos. Nem sempre o que realmente vemos é oque ocorreu de fato, não é que você está vendo coisas, mas nossa mente é “enganada” pelos nossos sentidos, e em outras vezes, nossa mente é “regulada” pelas nossas crenças, no que acreditamos ou temos a tendência de acreditar ou aceitar como verdades.
“Você deve estar de acordo que as pessoas recebem certas informações e passam adiante outras. É por isso que ás vezes percebem o mesmo fenômeno de maneiras espantosamente diferentes. Já aconteceu de você assistir a um acidente e ouvir o relato das pessoas bem diferentes, dos dois lados? Nós é que criamos o mundo que percebemos; não que não exista uma realidade ‘fora de nossas mentes’, mas nós selecionamos e editamos a realidade para se encaixar no que acreditamos sobre que mundo é este em que vivemos (Bateson, 1972, p. vii)....[]
Não editamos a realidade só por nossa conta; a cultura também tem seus livros de referência e suas tesouras de censor. Os grupos humanos – famílias, escolas, escritórios ou clubes – baseiam-se em seu padrão atual de organização para responder a mudanças no ambiente. Conserva-se o que foi bom no passado em normas, crenças e valores,...[] A cultura – e os grupos – funcionam segundo um modelo de pressupostos básicos, muitas vezes implícitos, que funcionaram bastante bem para serem considerados válidos e que são ensinados aos novos membros como a maneira correta de ver seus problemas. Os pressupostos vão mudando com o tempo e vão ficando mais impregnados no funcionamento não-percebido do grupo – isto é , a cultura do grupo é conservada de modo cada vez mais inconsciente. Bem, se essa ‘conserva’ é o jeito como as coisas ficam iguais, como é que elas mudam?”1
A segunda maneira de sermos enganados pela nossa mente, é quando estas informações são gravadas no nosso cérebro, através de um mecanismo indireto, pois as sensações não são gravadas dos órgãos sensores diretamente no cérebro, eles tem um caminho que passa por órgãos acessórios do nosso próprio cérebro, que agem em conjunto para esta sensibilização. Não basta a informação ser evocada, ela deve ser interpretada como uma informação no espaço e tempo corretos para sua interpretação.
A terceira maneira de errarmos num julgamento e conseqüêntemente, deixarmos nossa memória nos enganar é quando resgatamos os fragmentos da memória para formar o “todo”. Pois somos passíveis de “misturar” fatos após o seu armazenamento e fragmentos de outras informações gravadas, se juntarem a esta ação de resgate, ou evocação, daí a propenção do erro. Sobre o funcionamento de nossa mente, e o modo de como ela armazena as imagens e o aspecto de formar as imagens novamente por evocação:
“O cérebro não arquiva fotografias Polaroid de pessoas, objetos, paisagens; nem armazena fitas magnéticas com música e fala; não armazena filmes de cenas de nossa vida; nem retém cartoões com “deixas” ou mensagens de teleprompter do tipo daquelas que ajudam os políticos a ganhar a vida. Em resumo, não parecem existir imagens de qualquer coisa que seja permanentemente retida, mesmo em miniatura, em microfichas, microfilmes ou outro tipo de cópias. Dada a enorme quantidade de conhecimento que adquirimos durante a vida, qualquer tipo de armazenamento fac-similar colocaria provavelmente problemas insuperáveis de capacidade convencional, esgotaríamos suas prateleiras à semelhança do que acontece nas bibliotecas. Além disso, o armazenamento fac-similar coloca também problemas difíceis de eficiência do acesso à imformação. Todos possuímos provas concretas de que sempre que recordamos um dado objeto, um rosto ou uma cena, não obtemos uma reprodução exata, mas antes uma interpretação, uma nova versão reconstruída do original. Mais ainda, à medida que a idade e experiência se modificam, as versões da mesma coisa evoluem...[], como foi observado pelo psicólogo britânico Frederic Barlett há várias décadas, quando pela primeira vez propôs que a memória é essencialmente reconstrutiva.2” 2
Para sairmos deste impasse, devemos tentar analisar os fatos observados com menos “filtros” possíveis. Uma tentativa de pelo menos, de que vamos tentar fazê-lo, é seguir os passos da próxima lição. Teremos que incorporar o pensamento de 4 pessoas, como tentássemos ver a realidade com seus olhos. Argumenta-se por exemplo, para analizarmos nossa cultura e o processo de sua evolução, com o maior grau de exatidão, seria considerarnos um antropólogo, e que fizéssemos toda as anotações possíveis numa tribo que ainda não teve a influência de outra civilização, como por exemplo a nossa. Estas anotações seriam estariam para nós, como um alienígina fizesse as anotações de nossa civilização, tamanho seria a descompatibilização de referências.
Como exemplo cito por exemplo do livro “A arte de pesquisar”, da autora Mirian Goldenberg, a passagem:
“O primeiro antropólogo a conviver com os nativos foi o americano Lewis Henry Morgan, um dos mais expressivos representantes do pensamento evolucionista. Jurista de formação, em 1851 publicou The League of Ho-dé-no-sal-nee, ou Iroquois, considerado o primeiro tratado científico de etnografia. Mas foram os trabalhos de campo de Franz Boas, entre 1883 e 1902, e , particularmente, a expedição de Bronislaw Malinowski às ilhas Trobriand, que consagraram a idéia de que os antropólogos deveriam passar um longo período de tempo na sociedade que estão estudando para encontrar e interpretar seus próprios dados, em vez de depender dos relatos dos viajantes, como faziam os ‘antropólogos de gabinete’.
Nos primeiros trinta anos do século XX, o trabalho de campo passou a orientar as pesquisas antropológicas. Boas, um geógrafo de formação, crítico radical dos antropólogos evolucionistas, ensinou que no campo tudo deveriaser anotado meticulosamente e que um costume só tem significado se estiver relacionado ao seu contexto particular. Ensinou também o ‘relativismo cultural’: o pesquisador deveria estudas as culturas como um mínimo de preconceitos etnocêntricos...”3.
Terceira Lição:
Quando você for analisar o programa, lembre que você deverá tentar criar alguns modos de pensar, múltiplos do que você está acustamado.
1. Usuário sem conhecimento algum sobre o sistema e negócio, mas não dos conceitos de dados;
2. Um analista de performance, que seria quase que o próprio “computador”
3. Usuário com conhecimento das regras de negócio;
4. Um analista de negócios, que deverá conhecer as regras de negócio do sistema, e portanto, analisar os dados de entrada e saída, geralmente em tela, relatórios impressos.
Analise a anedota abaixo, que também aparece numa cena do filme “Fiddler in Roof - O Violinista no Telhado”, do diretor Norman Jewison.
e no livro de “O segredo judaico de resolução de problemas”, de Nilton Bonder :
“Dois judeus procuraram um rabino para arbitrar uma disputa.Chegando à casa do rabino, encontram-no estudando e sua esposa sentada no canto da sala.
O rabino perguntou: ‘Qual é a sua queixa?’
O primeiro litigante apresentou sua questão de forma convincente e brilhante.
Ao que o rabino reagiu: ‘Então você está certo!’
O rabino voltou-se então ao segundo litigante:
‘E você o que tem a dizer?’
O segundo fez sua explanação também com grande eloqüência.
‘Então você está certo!’, reagiou o rabino.
A mulher do rabino, que a tudo escutava, interveio:
‘Possa você, meu esposo, viver até os 120 anos, mas como, por D’us, é possível que ambos estejam certos?’
Cofiando sua barba, o rabino concluiu: ‘Você também está certa!´”4
Também encontramos um história semelhante numa nota não assinada de Fernando Pessoa:
"Encontrei hoje em ruas, separadamente, dois amigos meus que se haviam zangado um com o outro. Cada um me contou a narrativa de por que se haviam zangado.Cada um me disse a verdade. Cada um em contou as suas razões. Ambos tinham razão. Ambos tinham toda a razão. Não era que um via uma coisa e outro outra, ou que um via um lado das coisas e outro um lado diferente. Não: cada um via as coisas exatamente como se haviam passado, cada um as via com um critério idêntico ao do outro, mas cada um via uma coisa diferente, e cada um, portanto, tinha razão. Fiquei confuso desta dupla existência da verdade.”
Os dois exemplos acima, são exemplos das “múltiplas verdades existentes”. E é nossa tarefa encontrá-las ou simplesmente saber que elas existem, mesmo se não a tenhamos encontrada ainda, darmos o espaço para que quando a acharmos, ela se “encaixe” nos nossos planos.
Rompendo com os padrões de pensamento
“Há uma idade em que se ensina o que se sabe; mas vem em seguida outra, em que se ensina o que não se sabe: isso se chama pesquisar. Vem talvez agora a idade de uma outra experiência, a de desaprender, de deixar trabalhar o remanejamento imprevisível que o esquecimento impõe à sedimentação dos saberes, das culturas, das crenças que atravessamos. Essa experiência tem, creio eu, um nome ilustre e fora de moda, que ousarei tomar aqui sem complexo, na própria encruzilhada de sua etimologia: sapientia: nenhum poder, um pouco de saber; um pouco de sabedoria, e o máximo de sabor possível.”
Roland Barthes
No filme “Train de Vie - O Trem da Vida”, do diretor romêno, Radu Mihaileanu, é uma história passada em 1941 numa pequena aldeia judaica na europa, em plena II Guerra Mundial. As conseqüências diretas da guerra sobre a mesma só meçaram a aparecer diretamente naquele ano. E quem levou a notícia para a aldeia foi o bobo da aldeia. Ele informou para o rabino que numa aldeia vizinha, os judeus foram todos removidos e levados de trem para um local desconhecido e numca mais voltaram. Iniciou-se então uma grande reunião com todos da aldeia. O conselho de rabinos foi reunido para que se debatessem sobre o que teriam que fazer para evitar tal acontecimento na aldeia. Todos estavam falantes e sugirindo idéias a esmo, desde a compra de um navio e a fuga através do mesmo para Israel; outra idéia: comprar armas e iniciar uma luta armada contra os invasores; todas estavam sendo regeitadas pelo conselho. Até que novamente o bobo da aldéia, lá de traz onde estava disse: “vamos simular uma deportação através de trem...”. Muitos riram da idéia, que a primeiro momento parecia bizarra e ainda repugnante, já que alguns deles, teriam que se disfarçar em soldados nazistas. Mas foi a que foi aprovada pelo conselho, que iniciou urgentemente os preparativos, desde a compra do trem à confecção das roupas do exército alemão...
“...[]Da mesma forma que precisamos de terapia para romper com padrões de atitude, os condicionamentos só são ultrapassados quando descobrimos são os maiores produtores de ignorância, e quando elaboramos sobre eles. Mesmo os ingênuos ou irracionais são menos ignorantes que aqueles que pervebem a realidade através dos desvios de seus condicionamentos. É como diz o ditado ídiche: ‘Um relógio que parou é melher que um relógio com defeito que atrase ou adiante; isto porque um relógio parado pelo menos mostra a hora certa duas vezes ao dia”5.
Certa vez conheci um senhor de 86 anos, isto em 1996, seu “Zé” como gostava que o chamassem, ele não tinha o 2o grau, mas tinha adquirido uma sabedoria e junto a esta um conhecimento de si mesmo e das pessoas que o cercavam fora dos padrões de pessoas que eu relacionava. Ele era o verdadeiro auto-didata em suas várias profissões, de marceneiro, a mestre de obras, eletricista à técnico em eletrônica, de pintor à filósofo. Como filósofo, ele gostava de uma citação, que repetia para todos que conversavam com ele por mais tempo: “Todos são ignorantes... inclusive eu mesmo”. Novamente vou buscar no livro de Nilton Bonder:
“Em outras palavras, é preciso saber ser ignorante. Exercitar o reconhecimento das áreas não estéticas de nossa mente é uma etapa fundamental no processo do saber. Isto porque só é possível romper certos impasses importantes na tentativa de encontrar soluções se investimos em nossas ignorâncias, ao invés de tentarmos maximizar nossos saberes. O bom pesquisador é aquele que sabe usar a cesta de lixo comacurada propriedade...[]”6.
A nossa opção pela estética
Desde criança somos “alimentados” esteticamente pelo nossos pais e principalmente pelo grupo social onde crescemos (nós como criança), pois é até os 7 anos segundo especialistas que nossos valores são formados. Também somos nutridos de sentimentos que vêm de nossa ancestralide como ser espécie animal, como: mêdo de certas formas, de altura, de cheiros, gostos, etc. Uma que certamente nos é mais influenciado é o conceito de beleza, principalmente no que se refere ao que é beleza humana, no ser do sexo oposto a nós. Quando ficamos adultos, nossos predileções estéticas podem ficar menos predominante na escolha do nosso ou nossa companheira, pois não passa a ser mais uma questão primária de beleza somente. Nosso par deverá vir acompanhado com mais outros adjetivos que somente serão mais intrínsicos com a sabedoria adquirida através da observação ou da experiência própria ou alheia. Até quando somos colocados à prova literalmente, numa avaliação por exemplo de matemática, que a racionalidade impera como: “2 + 2 = 4”, mas isto começa a deixar de ser táo óbvio quando resolvemos percorrer resoluções diferentes a do convencional para resolver alguns problemas. Certamente que no exemplo acima, isto não fica evidente, mas quando tomamos problemas mais complexos, onde as soluções podem vir de várias maneiras, pois as ferramentas matemática são diversas, muitas vezes, o professor não entendendo a resolução feita de maneira “diferente”, nos dá nota zero, ou mesmo inferior , se não pontuar zero na questão, exatamente porque não pode acompanhar o raciocínio feito pelo aluno. Não estava dentro da “estética” que o professor queria. Já começa neste momento o processo educacional nos privar de soluções não triviais, por mais simples ou triviais que elas nos pareçam.
“A opção oculta representa exatamente a opção não vista nos momentos em que nos deparamos com um problema. O rompimento com os padrões de possíveis soluções é expresso por essas ‘janelas’ ocultas que surpreendem. Como na cena de Steven Spilberg de Os Caçadores da Arca Perdida em que o herói, num momento de grande tensão – a mocinha está em apuros precisando de auxílio - , se vê desafiado por lutador que esbanja músculos e que faz demonstrações de agilidade e destreza com seu imponente sabre. A audiência caputurada pela realidade daquele poderoso obstácdulo fica atônita quanto o herói saca de seu revólver e extingue seu problema de forma inusitada e instantânea.”7
Quando a solução está oculta por outras questões não lógicas e exigem uma decisão não estética (politicamente):
“O programa espacial, é retomado somente em 29 de setembro de 1988 com o ônibus espacial Discovery.
Os filmes e fotos produzidos no dia da tragédia mostraram o que 26 de janeiro de 1986. Nessa data, o Challenger partiria para a 25ª viagem de um ônibus espacial. No entanto, 73 segundos após o lançamento o ônibus explode, matando os sete tripulantes. A tragédia, transmitida via satélite, traumatiza os americanos. O programa espacial, interrompido por dois anos e meio fez o ônibus espacial explodir: o vazamento dos gases de altíssima temperatura dos foguetes auxiliares provocou a explosão do grande tanque de combustível líquido.
À época, o presidente norte-americano Ronald Reagan ordenou a formação de uma comissão cuja missão era determinar as causas do acidente. Relatos posteriores sugerem que os dirigentes desta comissão pretendiam chegar a lugar nenhum. No entanto, não contavam com a tenacidade e o brilho de um dos participantes da comissão: Richard Feynman, Prêmio Nobel de 1965 e um dos maiores físicos do século XX.
Passando por cima da lentidão dos procedimentos da comissão, Feynman fez investigações por conta própria, entrevistando tanto os chefes como os técnicos do segundo escalão. Soube então que todos os lançamentos anteriores ao do dia da tragédia tinham sido feitos em dias em que a temperatura ambiente era igual ou superior a 12º C. No entanto, no dia da tragédia a temperatura ambiente era de dois graus abaixo de zero. Este foi o problema: sob baixas temperaturas, a borracha perde sua elasticidade e assim perde sua capacidade de vedar adequadamente as juntas dos foguetes. Para convencer os membros da comissão, Feynman fez perante todos um experimento simples. Pegou um pedaço da borracha usada nas juntas e mergulhou em água gelada. Logo a seguir todos puderam perceber que a borracha havia perdido grande parte da sua elasticidade.
Quando Feynman disse ao Presidente Reagan que as mortes dos sete astronautas haviam sido causadas por defeitos em anéis de borracha, o Presidente não acreditou e retrucou: “Suely you are joking, Mr. Feynman!” (Certamente o senhor está brincando, Senhor Feynman).
Acontece que o conjunto ônibus espacial é formado por dois foguetes de combustível sólido (SRB), por um tanque de combustível externo (ET) – combustível: hidrogênio e oxigênio líquidos - e pelo próprio ônibus espacial. O intenso frio que se registrou nos dias antes do lançamento fez com que as borrachas de vedação dos foguetes de combustível sólido não resistissem as temperaturas extremas e, como conseqüência, ao se acender os SRB’s, uma das borrachas se rompeu justamente do lado do tanque externo e os jatos extremamente quentes que saiam por esse "orifício", ficou lentamente perfurando as paredes do ET. O que realmente explodiu foi aquele enorme cilindro vermelho onde o ônibus espacial se acopla, e quando isso aconteceu, o Challenger, devido à pressões aerodinâmicas fortíssimas, quebrou totalmente. A cápsula pressurizada onde os astronautas ficavam resistiu a força da explosão, mas o impacto com as águas do Atlântico, a 3.214 km/h foi decisivo. Ninguém sobreviveu.”8
Não usar o reducionismo para solução de enígmas:
“O laço que aprisiona pode ser uma corrente
de ferrro ou um cordão de seda.” (Schiller)
Quando usamos somente as ferramentas da matemática para resolver problemas do tipo enígmas, ficaremos com os horizontes mais reduzidos para as soluções possíveis, já que de fato temos um problema dito enigmático.
Um exemplo é quando nos são dados certos testes para complementar uma seqüência de números: 1, 2, 3, 6, 12, __. Nossa primeira interpretação, a mais óbvia será que somente usaremos a matemática para resolvê-lo. E logo compreendemos as regras que foram usadas, e a aplicamos, para achar o próximo número. Que de fato, é a soma dos números já apresentados: 24. Mas se por um acaso, outra seqüência lhe é apresentada:
2,10,12,16, ___. Qual será o próximo número? Aí você começa a testar todas as possibilidades matemáticas, que pode até chegar a uma, dada ao número de equações possíveis que podem gerar os números acima. Mas a resposta que o implementador quer é apenas uma, e talvez não passe por simples equações matemáticas, mas somente pelos primeiros números começados pela letra “d”, e que no caso, o próximo será o numero 17.
...[]“Quando um problema matemático desta ordem de simplicidade é colocado para crianças do curso primário, seus enunciados são reduzidos ao extremo com o intuito de treinar o processamento lógico. Pergunta-se ‘Um menino comprou seis maçãs. Chegou em casa e só tinha duas. Quantas maçãs ele perdeu?’. As respostas plausíveis poderiam ser nenhuma, três, seis, duas, e assim por diante. Como seriam possíveis tais resultados? Bastaria que se respondesse: ‘Nenhuma, pois na verdade o menino havia sido roubado’; ‘Três, pois ele comera uma delas no caminho’; ‘Seis, pois estavam todas muito maduras e não mais comestíveis’; ‘Nenhuma, pois maçãs não se perdem, se reciclam’; “Duas, pois o menino comprara as maçãs com 50% de desconto’”9.
Em seu livro: “Pensamento Sistêmico, o novo paragdigma da ciência”, a autora, Maria José Esteves de Vasconcellos, já pensa que a simplificação, ou o reducionismo dificulta, mas não impede do nosso pesquisardo de encontrar soluções ocultas, como ela mesmo explica no capítulo “Distinguindo dimensões no paradigma emergente da ciência contemporânea”, vemos um trecho do que ela diz:
“O paradigma da simplificação dificulta, mas certamente não impedirá o pensamento complexo. Na figura 4, você pode focalizar sua visão nos ângulos a ou nos ângulos b e verificar que, ao mudar o foco, vê coisas diferentes. Porvavelvente, uma das percepções tenderá a predominar sobre a outra e você terá que se esforçar quando quiser ver de outro jeito.
Figura 4 – Cubo de Necker, uma figura reversível
Para pensar complexamente, perecisamos mudar crenças muito básicas: em vez de acreditar que vamos ter como objeto de estudo o elemento, ou o indivíduo, e que temremos de delimitá-lo muito bem, precisamos passar a acreditar que estudaremos ou trabalharemos com o objeto em contexto.
Para proceder à contextualização do objeto ou do problema, deveremos fazer um exercício de ampliação do foco, o que nos leva a ver sistemas amplos....[]
Contextualizar é, portanto, realizar operações lógicas contraditórias às operações de simplificação que produzem um simplicidade atomizada.”10
O porquê a divisão de 4 visões sobre o mesmo problema, explicando cada uma delas:
· Usuário sem conhecimento algum sobre o sistema e o negócio propriamente ditos, mas não dos conceitos de dados:
Neste caso, o analista de qualidade, deverá usar a chamada “ídiche kop”, literalmente “cabeça de judeu”, conforme o texto abaixo de Nilton Bonder, do seu livro “O Segredo Judaico de Resolução de Problemas”:
“Não se trata de um método e nem de uma sabedoria, mas do acúmulo de ‘massa crítica’ mínima de problemas necessária para instaurar um processo existencial voluntário de questionamento do impossível...” 11
Você já está num estado de conhecimento de erros passados acumulados em sua mente, mas você usará o sistema tentando sabotá-lo, ou seja, NÃO usará o manual de procedimentos para executar o que o analistas acham ou pensam serem o processo correto. Será uma tentativa de não estar-se inserido no contexto do que chamamos problema ou qualquer espécie de conhecimento a priori, ou seja, anterior, do mesmo. Mas lembre-se de que não é a nossa intensão tentar apenas criar erros, mas enfim, identificá-los com a nossa intensão pré-assumida dos seus efeitos, conforme abaixo:
“Não podendo ser realizada a objetividade nas pesquisas sociais, e o conhecimento objetivo e fidedigno permanecendo como o ideal da ciência, o pesquisador deve buscar o que Pierre Boudieu chama de objetivação: o esforço controlado de conter a subjetividade. Trata-se de um esforço porque não é possível realizálo plenamente, mas é essencial conservar-se esta meta, para não fazer do objetivo construído um objetivo inventado. A simples escolha de um objetivo já significa um julgamento de valor na medida em que ele é preivilegiado como mais significativo entre tantos outros sujeitos à pesquisa. O contexto da pesquisa, a orientação teórica, o momento sócio-histórico, a personalidade do pesquisador, o ethos do pesquisado, influenciam o resultado da pesquisa. Quanto mais o pesquisador tem consciência de suas preferências pessoais mais é capaz de evitar o bias [viés, parcialidade,preconceito], muito mais do que aquele que trabalha com a ilusão de ser orientado apenas por considerações científicas.”12
Tente incluir números onde deveria ser letras, insira letras onde deveria ser números. Insira números imensos, tanto positivos, tanto negativos, faça uma mistura dos dois.
Mesmo que um dia tenhamos que usar um software que faça o teste automaticamente, os conceitos aqui empregados se manterão, pois o “script” de testes deve ser algo criado por uma pessoa com tal perfil e as mesmas intenções.
|