O mundo é o que você faz dele 

O mundo é o que você faz dele

Vou começar meu texto com uma pergunta: porque as pessoas gostam mais da virtude quando a mesma está numa pessoa OUTRA pessoa? Dizem os melhores mestres, que nós, os iniciados não devemos trocar uma boa pergunta por uma reposta, contenha ela o que for, no sentido de responder ou não a nossa pergunta. Digo isto porquê talvez eu já tenha a resposta, que já nos foi dada há pelo menos 2000 anos atrás, por outro mestre. A resposta dada foi também fruto de exemplo da pessoa dele, pois somente com simples palavras, nós iniciados não nos seria revelador. Ele deu exemplo de vida nos servindo, ao invés de pedir que fosse servido. Daí que a resposta da minha pergunta já estava respondida há muito tempo, mas ainda não foi abssorvida pela maioria das pessoas, talvez isto justifique nossa procura por alguém virtuoso e esquecemos de SERMOS virtuosos na prática e não numa busca, que pode as vêzes se revelar infrutífera. E já que falei em frutos, usarei uma metáfora: é melhor semos um pomar numa terra nutrida do que sermos viajantes a procura sempre de suprimentos para a próxima viagem.
Esta reflexão veio depois de sair com minha pupila e filha, Maria Eduarda, de quase 3 anos de sabedoria infantil, que para ela , eu, também pupilo dela, sou o meio de seu grande aprendizado, pois tenho não apenas a convicção, mas também a consciência que neste mundo de pomares e desertos, todos nos fazem aprender, todos nos fazem aprender, se ficarmos com nossos sentidos ligados para que tudo seja transformado em aprendizado, o no que se chamam de recontextualização. Para ser mais claro e usando uma frase popular: "Se o mundo te der um limão, faça uma limonada!". Esta é a maneira que os verdadeiros mestres nos tentam demostrar pela vivência, e não pelos somente em livros.
Estava assistindo um filme com minha filha no cinema, levei água, chocolate e pipoca. Escolhi sentar em uma das cadeira vagas, a que fica imediatamente junto ao corredor. Era um filme que levava o expectador a uma "viagem" ao inconsciente da personagem. Esta, era uma pessoa que buscava encontra uma resposta para sua busca do que seria a verdadeira justiça, mas aprendeu antes de mais nada, que a justiça não se faz com sangue e sem a compaixão pelo outro.Que o mal não é nada mais do que a incompreensão de um ser para com um outro ser. Os dois buscando os mesmos interesses. Mas apesar de ter todo os recursos necessários para mantê-la junto comigo, ela começou a falar “Papai, tome uma pipoca”. “Papai quero água!”. “Papai tome água também!”. Mesmo que sua pequena voz ainda sobresaísse dentro da grande sala de projeção, e que o filme fosse em idioma estrangeiro e legendado, uma pessoa atrás de mim fez “SSSSSSSSSSSSSSSSSiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiisssssss...”. Quando a mesma pessoa atrás repetiou o gesto, a pesso que estava ao meu lado repetiu em coro: “SSSSSSSSSSSSSSSiiiiiiiisssssssss”. E me disse: “Eu paguei R$10,00 para assistir!”. O que me causou indignação não foi o ato de me pedir silêncio, mas o fato dele ter usado o SEGUNDO reclame do sujeito atrás, para ter CORAGEM de reclamar JUNTO COM OUTRO. Logo que depressa saí da sala de cinema. As pessoas gostam da ilusão de assistirem um filme que tem uma mensagem de virtude, honestidade, compaixão, mas não gostam de usá-la no mundo real. Será que estas pessoas se sentiriam menos humanas em demostrar tal sentimento? Existe um mito de que pessoas fortes NÃO tem estes sentimentos, pois tê-los obscureciria a razão, as decisões tomadas em suas vidas práticas, seja no serviço, principalmente, ou seja em suas vidas em casa ou socialmente falando. Espero que este mito seja destruído, e que realmente tomemos consciência do quanto ele nos destroe, e principalmente nossa relação com os outros. A verdadeira natureza humana é deixada de lado e negada sistematicamente pelas nossas construções sociais em que vivemos, sejam o casamento, a religião, o direito, a justiça, a des(igualdade) humana, a democracia, a ciência, a política, a cultura (talves nem tanto) e principalmente as convenções sociais.
Imaginemos um estória, dois pessoas buscando encontrar uma resposta para suas dúvidas: "O mundo ainda é justo?". Dependendo do que achassem na sua busca, este o veredito sobre sua pergunta. Como é uma estória, podemos ainda fazer nossos arranjos para que os dois se encontrem. Caso os dois se encontrem, nossa pergunta, como já de posse dos pressupostos dos dois passará a ser: "Quem irá ceder primeiro?". É uma questão óbvia, pois não devemos procurar no mundo o exemplo do outro para julgá-lo, e o que é pior nos termos do outro! Deveremos sim dar o exemplo de como deve ser o mundo, e que nossos atos se tornem o que faz o mundo, e não o contrário. Por isso a mensagem trazida há 2000 anos, foi o EXEMPLO DADO DE SERVIDÃO, E NÃO A BUSCA DA SERVIDÃO OU DA VIRTUDE NOS OUTROS. Por isso se alguém lhe perguntar: "O mundo continua merecedor de nossa bondade?" Não hesite em responder e também perguntar a si mesmo: "Será que EU estou merecedor dela?". O mundo é o que NÓS fazemos dele.


autor: Haroldo Kennedy Clebicar Nogueira.
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