Coisas de Criança...
O supermercado
Uma vez fui fazer compras no Extra, lá do Minas Shopping e levei a Maria Eduarda, ela deveria estar com uns 3 mêses. A Roberta já tinha ido numa vez anterior com a nossa antiga empregada e como era de esperar em sua situação da época, esta deveria estar um pouco nervosa, pois ela achou que ela chorou muito e tinha dado muito trabalho. Resolvi experimentar. Fui com ela de ônibus, ela estava no meu colo. Estava num banco ao lado da janela, e estava à noite. Reparei no reflexo do olhinho dela, as luzes dos postes passavam um após o outro, seus olhos iam para frente e para trás procurando acompanhar a passagens das luzes. Fiquei impressionado com o poder de observação dela. No supermercado então foi maior ainda. Ela reparava em tudo o que tinha côres e seus formatos...
O banho
Desde cedo notei que Maria Eduarda seria uma criança diferente. Nota isto quando eu dava banho de banheirinha nela, com um 3 mêses de idade. Não enchia a banheira de água, mas colocava uma quantidade suficiente para cobrir seu corpinho. Segurava a cabecinha dela um pouco mais inclinada para que a agua não entrasse na sua boca. Enquanto lavava, ela batia com os pés na água, e formava pequenas ondas que iam e vinha de um lado para o outro da parede da banheirinha. A inclinação que eu dava à cabeça era pequena, e de repente notei que ela virava sua cabecinha para o lado com um certo rítmo. Passado um tempo, a Roberta que estava do meu lado, notou que ela viravasse num rítmo coordenado, e que obedecia uma seqüência que não deixava que a onda formada pelas batidas de seus pezinhos entrasse na sua boca ou orelhas. Ou seja, ela ajustou seu modo de ver a água com a freqüência das ondas da banheira. Pensei comigo: "Isto é pura música, ou pura matemática!".
Esse é do Beethoven
Uma vez, meu irmão, Alvinho, estava preparando o prato o prato de comida de minha filha, Maria Eduarda. Ela estava brincando, e ele a colocou sentada à sua mesinha de plástico, e com o prato na frente dela. Ela não estava interessada muito no almoço, e por isso, meu irmão inventou um nome de um cachorro, o "Beethoven", e disse a ela: "Não coma esta comidinha, pois ela é do Beethoven...". Num instantinho ela começou a comer. A "psicologia infantil" estava funcionando...Passa um tempo e meu irmão dizia a ela: "Não vai comer a comidinha do Beethoven...", ela voltava a comer com mais enpenho. Passado mais um tempo ele brincava novamente: "Oohhhh! Esta comidinha é do Beethoven, não vai comer ehmmm". Ela voltava a comer com empenho e soltando um risinho...Após algum tempo, ela já não estava comendo mais, e faltava um pouquinho só. Meu irmão foi até ela e disse: "Oohhh... Tem um pouquinho aqui! Você não vai comer?". E ela olhou para meu irmão e disparou sem pestanejar: "Esse é do Beethoven...". Isto foi em fevereiro de 2005, ela estava com 2 anos e 2 mêses.
Dê preferência
Estava eu e Maria Eduarda na parte da frente de um ônibus, que estava cheio, isto foi domingo, dia 19/06/2005. Ela olhou para aqueles adesivos que ficam pregados no vidro do ônibus, voltados para o passageiro, indicando que os assentos da frente antes da roleta tem prefêrencia para certas pessoas, e me disse alto: "Olha papai, o moço tá com o pé quebrado!", isto apontando para o ícone que realmente é um homem com uma faixa no pé e de muletas. Até aí tudo bem, fiquei surpreso ao reconhecimento rápido daquele ícone por parte dela. Depois, novamente ela olhou para o segundo ícone, que era a da mulher com uma barriga grande, indicando mulher grávida, e disse: "Olha o moço com barriga grande...ele tomou muita cerveja!". Nisso todos do ônibus começaram a rir da pequenina que reconhecia os ícones e os acomodava numa leitura conforme a sua vivência...Fiz questão de dizer alto ue eu não tomava cerveja...
Estou doente
Ontem dia 20/06/2005, estava indo para casa, depois de buscar a Maria Eduarda na escolinha. Subo com ela na "cacunda", conforme ela mesmo pede. Paro freqüêntemente numa loja de sorvetes, ao lado de uma churrascaria. Lá ela tem uma atendente muito amável que já nos conhece e sempre nos recebe bem. Neste dia, como é de costume, Maria Eduarda entrou para o lado de dentro do balcão e sentou-se numa cadeira. Da cadeira, ela avistou um vidro, cheio de barras que estavam embrulhadas em papel vermelho, e eram notoriamente barras de chocolate. Ela com voz embargada e baixa, oulhando daquele jeito de cachorrinho perdido me pediu: "Papai, quero chocolate!". Disse de imediato que não era chocolate, e fiz sinal para a balconista dizer o mesmo. Mas a balconista tentou explicar mais do que deveria, e disse: "Isto não é chocolate! Isto é remedinho para a garganta!". Maria Eduarda também não esperou muito e disse já tossindo: "Cof, cof, cof, papai, estou tossindo!"...
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